13 março 2018

A História do Brasil que os professores das universidades e escolas não contam -- I

República impopular do Brasil – por Cláudio Fragata Lopes (1ª Parte)
A sociedade ficou de fora no regime que teve de inventar mitos, hinos, bandeiras e heróis
(Excertos da matéria publicada na revista “Galileu", nº 112)
 A Quartelada– O quadro Proclamação da República, de Benedito Calixto, retrata com realismo o episódio de 15 de novembro de 1889: sem participação popular

   “A proclamação da República ainda é um capítulo equivocado da História do Brasil. Muita gente pensa no episódio como uma revolução popular, que pôs fim à monarquia e instalou no país um regime moderno e progressista. Mas não foi bem assim. O ato de implantação da República não teve participação popular. Nem na proclamação, a 15 de novembro de 1889, nem nos anos seguintes” (...) (A proclamação) “Foi fruto de uma elite, formada por militares, intelectuais e proprietários rurais, que, para legitimar o novo regime junto ao povo, tentou forjar mitos e símbolos.
     “Aprendemos na escola a ver a República como um movimento renovador e patriótico. Mas o episódio teve uma repercussão bem diferente daquela que está nos livros. A população carioca assistiu, no dia 15 de novembro de 1889, a uma parada militar liderada p elo marechal Deodoro da Fonseca, que até o último momento hesitou em desempenhar o papel de "proclamador".
    “Testemunhos da época sustentam que o marechal deu um viva ao imperador ao fazer o famoso gesto que o pintor Henrique Bernardelli eternizou em quadro, e até hoje simboliza o ato da proclamação. A descrição que o dramaturgo Arthur de Azevedo fez do episódio não é mais animadora: o cortejo passou em silêncio pelas ruas e o marechal parecia "um herói derrotado, mal se sustentando na sela, a cara fechada, de cor ferrosa puxando para o verde".
      “José Murilo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é um dos historiadores que veem a República com outros olhos: "Deodoro nunca foi republicano, nem antes, nem depois do 15 de Novembro", afirma. O marechal aceitou a missão por razões corporativistas, em defesa da honra militar, e também táticas, já que os conspiradores fardados eram muito jovens. "Ele aliava liderança e comando", explica o historiador. "Durante seu governo, deu várias indicações de seguir o antigo regime, como na dissolução do Congresso e na maneira imperial de tratar os ministros." Quando o irritavam, ameaçava "chamar o Velho". Ou seja, dom Pedro II.
      “(Depois de implantada, pelo golpe militar de 15 de novembro de 1889) “Para ter um herói, a solução encontrada (pelas novas autoridades republicanas)  foi promover Tiradentes ao panteão da República. O inconfidente mineiro já era cultuado nos clubes republicanos que se espalhavam pelo país antes da proclamação. Mas a celebração do 21 de abril só começou em 1881, instituída pelo novo regime.
      “A principal batalha pela simbologia republicana se deu em torno de uma nova bandeira e do Hino Nacional. No dia da proclamação, os participantes não tinham ainda uma bandeira. Levaram às ruas um modelo confeccionado pelos sócios do clube republicano Lopes Trovão, na verdade uma cópia da bandeira norte-americana, onde as cores imperiais verde e amarela foram conservadas nas faixas horizontais.
     “A versão oficial e definitiva, anunciada quatro dias após a proclamação, foi uma vitória positivista. É a nossa atual bandeira. Desenhada por Décio Villares, de acordo com a orientação filosófica de Auguste Comte, trazia a inscrição "Ordem e Progresso" . Isso porque, segundo o filósofo, uma sociedade exemplar teria "o amor como princípio, a ordem como base e o progresso como fim".
     “Alguns astrônomos da época apontaram a falta de rigor científico com que as estrelas e o Cruzeiro do Sul tinham sido bordados. Ciência à parte, a bandeira foi aceita.

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