13 março 2018

A História do Brasil que os professores das universidades e escolas não contam -- II

República impopular do Brasil – por Cláudio Fragata Lopes (2ª Parte)
(Excertos da matéria publicada na revista “Galileu", nº 112)
Hino velho, letra nova
     “Os positivistas não tiveram a mesma sorte em relação à mudança do hino. "Foi a única vitória popular do novo regime", esclarece José Murilo de Carvalho. Assim como não tinham bandeira, os manifestantes de 15 de novembro não possuíam hino. Durante o desfile, cantaram a Marselhesa, o hino nacional francês. Dias depois, durante uma cerimônia oficial, de novo a Marselhesa foi executada, junto a outras marchas militares, sem despertar o entusiasmo dos civis. Os músicos, de improviso, iniciaram os acordes do hino imperial, de Francisco Manuel da Silva, para satisfação geral dos presentes.
      “Os republicanos optaram então por uma saída conciliatória, mantendo o velho hino, mas com nova letra, escrita por Osório Duque Estrada. Assim nasceu o Hino Nacional Brasileiro. A maior vitória obtida no campo musical foi a instituição do Hino da Proclamação da República (para quem não se lembra: "Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!"), composto por Leopoldo Miguez e Medeiros de Albuquerque, vencedores do concurso organizado especialmente para escolher o hino oficial do novo regime.
   “Apesar do malogro do imaginário republicano, permanece até hoje a ideia de um movimento de grande alcance popular e patriótico. Para José Murilo de Carvalho, entre a população pobre e analfabeta da época persistiu uma simpatia latente pela monarquia. Mas, com a implantação do sistema educacional federativo, a situação foi aos poucos tomando outros rumos: "Os novos governos estaduais introduziram nos currículos escolares a versão favorável à República, educando nessa crença as novas gerações".
O "retrato oficial" do nascimento da república e o seu patrono
   "Monarquista notório, Deodoro da Fonseca vacilou em assumir o papel de proclamador republicano. Mas foi com galhardia que posou para Henrique Bernardelli pintar A Proclamação da República. Estaria ele, nesse momento solene, dando vivas ao novo regime ou a o imperador? É o que o historiador José Murilo de Carvalho ainda se pergunta. Seja como for, o quadro se transformou na versão oficial do episódio, e está para a República assim como a tela O Grito do Ipiranga, de Pedro Américo, está para a proclamação da Independência. A grande diferença entre as duas obras, segundo Carvalho, é que dom Pedro I, no quadro de Américo, aparece interagindo com várias outras figuras.
    "A concepção de Bernardelli é totalmente personalista. Em primeiríssimo plano, o marechal ocupa quase toda a cena. Republicanos históricos, como Quintino Bocaiúva e Benjamin Constant, estão ao fundo, montados a cavalo. Note-se que Deodoro não aparece com uma espada, símbolo da ação militar. No 15 de Novembro, não portava uma. Seria violar a verdade dos fatos retratá-lo erguendo uma espada, afirma Carvalho: "Já bastava a dúvida sobre o sentido de erguer o boné".

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