20 fevereiro 2018

Um amor a mais - Por: Emerson Monteiro

E acordar na velha estação em que aguardam o comboio da sequência natural do que existe e existirá para sempre. Sacos de dormir espalhados pelo chão frio do alpendre imenso. Pessoas e olhos ainda entumecidos se olham quais ouvissem pela primeira vez a chuva fina que cai na serra em volta. Crianças andrajosas. Malas. Caixas e flores. Armamentos. Instrumentos musicais silenciosos. Nuvens. Muitas nuvens escuras a circular em volta de tudo, tais bichos de estimação dos futuros passageiros da nave que lá vem do espaço sideral distante. E todos brincam naquela praia no mar da certeza bem certa.

Bom, a notícia percorreu as consciências dos viajantes. Sabem por demais que serão recolhidos através da bólide gigante que percorre o Infinito desde o nascer das primeiras horas. Ninguém restara abandonado pelas estradas do tempo. À medida dos elementos, as escolhas da vontade serão traduzidas agora ao poder do Mistério Tenebroso e revertidas em resultados no palco principal das histórias individuais. Espécie de julgamento de si mesmos que trataram de promover naquilo que praticaram, pesos atômicos espirituais, a cada um conforme o merecimento. Sabem disso à fartura. Nunca enganaram à própria consciência. Receberão, daqui a pouco, o soldo que lhes competirá.

E eles entreolham a massa de corpos, luzes em potencial, na grandeza de que jamais passarão impunes do mal e do bem que praticaram na balança do barco em vieram até aqui. Enquanto isso, a nave percorre o espaço na velocidade da luz. Chegará infalivelmente na ocasião prevista na ordem dos traços largados ao acaso que nem existe, pois do mínimo ao máximo há um só sentido absoluto nas lendas em que habitaram desde as cavernas.

Dentro dos corações sabem disso. Apenas agora esperam chegar os enormes vagões que os recolherão de portões abertos. Cobertos da fuligem das eras em que viveram, aceitarão o preço da liberdade, espécies de alimárias da Natureza mãe. Filhos do Pai Eterno, sabem, portanto, que amar é ser assim. Aceitar o momento de existir quando ninguém viveu abandonado hora nenhuma durante o caminho que restou nas outras madrugadas, porquanto somos dotados de gosto na escolha do destino, isto que significará a sorte de sonhos que alimentávamos todo momento à busca dos resultados definitivos.

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