19 janeiro 2018

Mártir São Sebastião – por José Luís Lira (*)


São João Paulo II afirmou: “Do ponto de vista psicológico, o martírio é a prova mais eloquente da verdade da fé, que consegue dar um rosto humano inclusive à morte mais violenta e manifestar a sua beleza mesmo nas perseguições mais atrozes”. Foi o martírio a primeira forma de reconhecimento da santidade de um cristão nos tempos mais antigos da fé cristã, quando professar-se cristão era motivo para morte. Aliás, essa ameaça ainda existe nos dias de hoje.
     Os cristãos católicos celebramos na data de hoje, 20/01, a festa de São Sebastião (os ortodoxos celebraram no dia 18). O santo mártir nasceu na França, em 256 d.C. e foi martirizado em Roma, no ano de 286 d.C. Era originário de Narbonne, a 849 km de Paris, e tinha a cidadania de Milão. Sua morte se deu durante a perseguição levada a cabo pelo imperador romano Diocleciano (284 a 305 d.C.). O nome Sebastião deriva do grego sebastós (divino, venerável).
     A tradição atribui a Santo Ambrósio de Milão, um relato acerca do santo mártir, no qual o pai espiritual de Santo Agostinho afirma que Sebastião era um soldado alistado ao exército romano por volta de 283 d.C., com a intenção de animar o coração dos cristãos, enfraquecidos por torturas. Os imperadores Diocleciano e Maximiano o estimavam muito e ignorando tratar-se de um cristão, o designaram capitão da sua guarda pessoal, a Guarda Pretoriana. Por volta de 286, a sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas, restando, inclusive, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, uma dessas flechas.
     Após o primeiro ataque foi considerado morto e atirado em um rio, mas, ele não havia morrido, foi encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene que também recebeu a palma do martírio junto a suas duas irmãs, Ágape e Quiônia). Recuperado, o santo apresentou-se diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma. A futura mártir e santa Luciana, resgatou seu corpo, limpou-o e sepultou-o nas catacumbas localizadas na Via Ápia, atualmente Catacombe di San Sebastiano. Em nossa Diocese destacamos a Paróquia de Ipu que celebra o santo também padroeiro da Arquidiocese do Rio de Janeiro! Salve São Sebastião!
     Neste mesmo contexto de morte em defesa da fé, no dia 11, nossa vizinha Diocese de Tianguá celebrou os 410 anos do martírio do Padre jesuíta Francisco Pinto, de origem portuguesa, morto pelos índios “carijus", no alto da serra da Ibiapaba. Este sacerdote, em 1607, recebeu a missão de realizar uma Jornada do Ceará ao Maranhão, acompanhado do Padre Luís Figueira. Estabeleceu núcleo com os índios potiguares num aldeamento denominado “Paupina” (hoje Messejana, Fortaleza). De lá partiu para realizar sua missão. A comitiva sofreu ataque dos índios carnívoros que assassinaram o Padre Francisco Pinto. O Padre Luís Figueira, nome de rua na capital cearense, escapou, levando consigo os restos do Padre martirizado que foram inumados na Matriz de Messejana. Há um ano o historiador Adauto Leitão, de Fortaleza, pediu à Diocese de Tianguá a instauração do processo canônico para apurar o martírio que poderá levar o Padre aos altares da Igreja Católica.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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