07 janeiro 2018

Marli - Por: Emerson Monteiro


Princípio de ano quando resolvi visitar dois amigos, Flamínio e o Prof. Bebeto, em sítios próximos da sede do distrito de Santa Fé, em Crato. Momentos alegres, horas de natureza, frutas, plantas e pássaros. Já sabia um pouco a propósito de Marli, garça que, há cinco, seis mais, se aproximara do Sítio Fábrica, onde Bebeto ali passa agradáveis finais de semana.

Ela chegou às margens do açudinho que existe ao lado da casa. Ao vê-la, Huberto observou que trazia ferimento numa das asas. Sozinha, triste, aquietou nas proximidades da água. Daí, ele e Toinho, o caseiro, trataram de lhe oferecer alimento que mitigasse a fome e a fraqueza. Nisso, aos poucos ganhariam a confiança de Marli, que assim a batizara.

Depois permaneceria por perto recebendo o carinho dos alimentos, peixinhos pescados de anzol. Resultado, ela e o novo amigo se afeiçoaram. Contudo alguns meses adiante, Marli sumiria por seis meses, ou mais. Bebeto deduziu que talvez houvesse perdido a vida num outro atentado. No entanto voltaria. Feliz de receber alimentação, demonstrou reconhecer o pouso e o amigo.

Sempre que chamada, agora acorre atenciosa aos peixes fisgados de anzol, pequenas tilápias do reservatório. Basta chamar pelo nome, rápido desce e fica no aguardo da ração.

Assim tem transcorrido. Some dois, três meses, e regressa familiarizada qual amiga fiel. Vimos bem isto acontecer. Mesmo que de todo ausente, tão logo ouve seu nome aparece entre as árvores e fica à espera do alimento, em perfeita simbiose de ser humano e ave pernalta.

As cenas que eu e Flamínio presenciamos naquela tarde, do entrosamento de Huberto Tavares e da garça que buscou refúgio junto dele, fizeram que eu voltasse no tempo e me visse criança a presenciar bandos de garças sobrevoando as represas do açude do Tatu, em Lavras, onde nasci. Considerei o que teria imaginado à época visse o que agora vejo. Por certo desejaria ser, quando crescesse, tal aquele senhor às margens de um açudinho a oferecer peixes a Marli, cercado de árvores e flores, esquecido do mundo, a reviver dias da infância, na paz do sítio aprazível, distante, lá no sopé da Serra do Araripe.

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