20 janeiro 2018

Há um céu acima deste - Por: Emerson Montiro

Que fica logo ali adiante, depois, logo depois, daquelas nuvens mais altas que deslizam suaves no meio desse azul. Este daqui termina na face do céu da boca de uma onça, que espera de dentes amolados, debaixo das árvores secas do solo rude, no sertão. Bem ali, no entanto, há um céu acima deste. Assim se conversam os anjos metálicos neste chão das estruturas atuais. E certo é que quase ninguém, ninguém, talvez, digamos mesmo, está nem um pouco disposto a encarar com fidelidade os programas dos computadores mais modernos. Chegaram até descobrir a programação neurolinguística, de ressignificar os conceitos internos das criaturas humanos com base na linguagem mecânica. No entanto experimentam as modas recentes e largam de lado feitas revistas velhas. E saem à procura de novos sons, novas produções musicais, na ânsia de responder o quanto antes à sede do absoluto relativo que domina o mercado das ações artificiais.

Bom, mas o que interessa, na verdade, são as funções delas, das máquinas atraentes, brilhosas. Agora mais recente descobriram um aplicativo, o limpador extraordinário, que limpa o lixo das pessoas numa velocidade supersônica. Isso estão usando nos templos das crenças matemáticas a fim de limpar as mentes dos astronautas em suas viagens pelos céus das almas. De vez em quando eles descobrem um novo planeta de uma galáxia até então desconhecida, os denominam de títulos diferentes, põem nas enciclopédias digitais e esquecem onde os deixaram, e saem à procura de novos planetas perdidos pelo espaço. Pois este céu daqui de baixo tem um céu acima dele, numa outra dimensão em que as onças nunca chegam, e nunca os irão devorar na ânsia de encher o subsolo dos restos que alimentam as máquinas do futuro.

De tanto repetir as cifras e os códigos, aqueles heróis anônimos param nos asteroides abandonados, subúrbios do Universo, e conversam entre si feitos senhores de quase tudo, porém cientes de preencherem as telas dos horizontes de palavras, imagens e movimentos que durarão apenas alguns segundos, desfeitos no nada. Sabem por demais, que outros sóis iluminam as esferas lá do outro lado de tudo, aonde permanecerão para sempre quando passarem deste céu e desta terra daqui dagora.

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