30 dezembro 2017

Por que a ideologia de luta de classes é anticristã -- Por Vitor Erni Matias Figueiró

   “Luta de Classes”,  um conceito muito difundido, talvez banalizado, mas inegavelmente popular, mesmo que subjetivamente. É comum que seja assim, não só com este, mas com vários outros conceitos, que ganham conotações diferentes, como uma palavra que ganha diferentes sentidos conforme os anos passam. Não podemos iniciar um texto sobre luta de classes sem antes falar do termo anterior: a ideologia. Por ser um termo deveras espinhoso, explicarei rapidamente as duas definições possíveis, coligando-as de modo a facilitar o entendimento.
   Primeiro, pode-se defini-la como um conjunto de ideias e doutrinas individuais ou de grupo, algo como uma subcultura; segundo, pode-se defini-la como meio de dominação por meio do convencimento. Arranjando os termos, temos uma subcultura ilusória. Russel Kirk (1918 - 1994) define a ideologia como a secularização da religião, com seus próprios santos, dogmas e rituais, prometendo um paraíso terrestre contanto que se siga sua sistemática doutrina; por tais características, ela atrapalha o juízo humano, direcionando-o a um ponto, mascarando seus defeitos por meio de sofismas; e por manter tal fidelidade ao seu dogma, causa a divergência entre homens. Assim, a ideologia cria o caos.
   Posto tal ponto, é possível falar da luta de classes. Tal conceito é cunhado por Karl Marx (1818 - 1883) para nomear o confronto entre “classes” de pessoas, definidas pelo seu “capital acumulado”: há a "burguesia" (dona dos meios de produção) e o "proletariado" (o trabalhador braçal). Para Marx, os trabalhadores estariam influenciados pela ideologia burguesa e, para fugir desta alienação, deveriam concorrer na luta ideológica, e então cunhar a revolução.
   O próximo passo, então, é responder à pergunta essencial deste artigo: porque a ideologia de luta de classes, ou, porque a ideologia e a luta de classes são anticristãs?
   Richard M. Weaver (1910-1963) nos diz que a harmonia entre nações que estão divididas em grupos maiores ou menores não depende da quimérica ideia de igualdade, mas de fraternidade, um conceito muito anterior e que está fortemente arraigado no sentimento dos homens. Não é difícil ver que tal ideia é perfeitamente aplicável, visto que a fraternidade demanda respeito e proteção, como em uma família, onde o irmão mais novo pode exigir que o irmão mais velho cumpra seu dever, através de uma rede de sentimentos. – Muito semelhante à famosa frase de Jesus, “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”; em que amar não é concordar com tudo o que o próximo diz ou faz, pois não implica amar ações, aplica amar o indivíduo substantivamente; e isso não exige qualquer igualdade fora a substância. Ou seja, humano, e nada mais que isso.
   Logo de início, vemos que o ensinamento de Cristo atrita com Marx, mas, antes disto, há o atrito com a ideologia; o catolicismo é Religião, não secularização, e não quer ocultar a verdade, mas revelá-la, pregar a igualdade substantiva e não material, o amor fraterno e mútuo entre as pessoas humanas. Um pouco de leitura cristã mostra que o homem possui uma imperfeição intrínseca ao ser; pois, se fosse perfeito, seria Deus, o único Perfeito. Mas, por ser feito à imagem de Deus, ou seja, à imagem do Intelecto infinito, o homem possui intelecto, ou a virtude da razão, o que o diferencia dos animais. Por tais características, o homem pôde desenvolver a Filosofia para buscar a verdade. Por ser imperfeito, porém, o homem não pode conceber um sistema perfeito, e não pode conhecer todas as verdades. Mostrar verdades fundamentais e evitar erros é a função da Revelação, esta que é estudada e corroborada pela Teologia, com o auxílio da Filosofia: a união da ciência de Deus e a ciência do homem.
   Querer por meio da ideologia oferecer um sistema que promete a verdade absoluta, pressuposta pela imperfeita razão humana, é em si automaticamente anticristão, com o agravante de causar atrito entre os homens, em oposição à fraternidade proposta pelo cristianismo. Postas as cartas na mesa, a luta de classes é essencialmente anticristã. Mais que tudo, o objetivo deste, além de explicar a divergência entre os termos de forma enxuta, é o convite à leitura. Há muitas ideologias no mundo, e há ideias que são consideradas como se fossem mas não são, outras mascaradas de cristianismo, outras não, outras que o apoiam, outras que querem destruí-lo.


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