02 dezembro 2017

Na Lua Cheia de dezembro - Por: Emerson Monteiro

Época do canto das cigarras nas matas da Serra, quando entre as árvores penetra o manto iluminado da Lua. Raios brilhantes decalcam dentro da alma as certezas da visão dos mundos impenetráveis que abrem as portas da paz, e o coração sente instantes sublimes de harmonia a fornecer conhecimentos novos. Suaves passam nos céus do coração as aves do Paraíso, voos intensos de cores indescritíveis e cantos matizados de amor e felicidade. Tantos, nuvens, nuvens, que encantam os ares e clareiam no espírito a trilha do feliz regresso aos seios da Natureza sob o silêncio. 

Bem no íntimo do horizonte, de onde o Infinito se encontra com o Impossível, breve nascerá a canto radioso demais esplendoroso da Lua, que traz o círculo perfeito na continuidade das lembranças de Deus em tudo quanto há. Envolverá de si, no seu manto de maravilha, os fenômenos eternos das existências, nas águas do firmamento. Mãe das criaturas, as acaricia no perfume doce dos braços e as estreita de amores imemoráveis, carinho e sonhos.

A melodia do Universo abre, pois, de acordes, a sinfonia do instante e deixa pleno o perfume das flores, o deslizar da brisa e o fulgor do sentimento das horas. Tons perfeitos que perpassam o mistério afagam levemente o centro das emoções e o peito revela o fascínio do equilíbrio no deslizar dos movimentos. Olhos acesos reverenciam de fervor as atitudes, na celebração do nascimento da rainha das noites entre as palmeiras e festa.

Alguns seres retardatários voltam apressados aos apriscos, porém fixos nas transformações do tempo, e clamam à deusa compaixão pelos seres vivos que ainda dormem lá longe dessa grandeza e claridade, cabisbaixos na inconsciência, no clamor da esperança dos que desejam renovar esperanças e fé. Primeiros raios de luar prateiam as encostas e sons da Terra abraçam apaixonados a solidão iluminada.

(Ilustração: Paul Gauguin).

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