02 dezembro 2017

Carta de Hélder Macário de Brito para Pedro Esmeraldo

Pedro, meu prezado amigo

Um abraço,

   No “escrito” de alguns dias, que você me fez, postou na internet  e pediu a um nosso amigo comum que o lesse na rádio, a qual ele se negou, apresentando uma desculpa plausível, apenas de me engrandecer, você diz que fui aluno da Academia Militar das Agulha Negras, mas eu faço questão de dizer a razão de havê-la deixado, por não adaptar-me a vida que ela e oferecia e resolvi abandoná-la por minha própria vontade, como meu documento de identidade militar atesta, exatamente, para que alguém não venha a pensar que eu tenha sido jubilado ou expulso, por alguma causa ilícita.
   Em outro trecho, você diz que eu poderia ser aproveitado em algum setor da prefeitura, fazendo suscitar em alguém que leu o seu escrito e no próprio prefeito, a impressão de que esse era mesmo o meu desejo, por eu sempre falar no que deveria ser feito na administração que se aproximava, sobretudo, no setor agropecuário.
   Mas, não era apenas você que dava isso a entender às pessoas. Imagine que eu mesmo fiz uma carta ao prefeito, através de Nazaré, porque viajaria na madrugada seguinte para Fortaleza, mas queria dar a ele os meus parabéns pela vitória, me estendi e falei sobre o que viria a seguir, a escolha do Secretariado, falando que deveria ser feita entre pessoas sérias, éticas, competentes e profundas conhecedoras de cada assunto de que iriam ser responsáveis, dando ênfase ao setor agropecuário que eu sempre achei não tão assistido por administrações anteriores.
   Eu só faltei mesmo dizer ao prefeito que a pessoa ideal para exercer aquela função era eu, principalmente porque dominava o assunto, pois tive que aprender a fundo tudo o que sei a respeito, para me defender de regras rigorosas, acontecidas lá no lugar de onde eu vim, Campos Sales, onde elas são mais recorrentes, duradouras e tiram dos atingidos tudo o que conseguiram amealhar, inclusive a fé, a esperança e a vontade de continuar na lida.
   E, eu fui mais adiante, dizendo que aprendi a me defender de todas elas na televisão, no programa Globo Rural, na revista Globo Rural e até na Expocrato que, infelizmente, está decaindo como exposição, ido sendo assunto para outro “bate papo” nosso.
   Dei continuidade ao assunto dizendo que o que aprendi, pratiquei e me dei muito bem, mas apenas porque dispunha de água na propriedade, pois contava com um açude razoável que permitia utilizar a sua água durante mais de três anos, e o que eu aprendi, muitos proprietários de sítios e fazendas daqui, que contavam e, de certo modo, ainda contam com água em poços profundos, cacimbões e até fontes, também aprenderam mas, muito pouco utilizam, deixando o município, apesar do privilégio de contar com bastante água e contar com uma exposição do porte da Expocrato, de superar outros municípios, pelo menos neste setor, como um dia superou a muitos, inclusive de outros estados no setor de saúde, da educação, da cultura, etc. Se utilizando do que outros municípios produzem, como leite, queijo, carne, frutas, hortaliças, rações para arraçoarem os seus animais, manterem mais substanciosa a sua alimentação e bem melhor, o seu modo de viver.
   Tudo eu fazia, porque tinha a meu dispor aquele açude e eu usava a água utilizando uma balsa de fibra de vidro com metros e metros de canos de alumínio e aspersores acoplada com um motor bomba, conseguida para mim, junto ao Governo do Estado, pelo Dr. José Jarley Brito, que eu usava após ter feito instalações de irrigação em toda a margem que a balsa percorria, sendo cada uma ligada à moto bomba, uma para irrigar milho consorciado com soja, para fazer ensilagem e arraçoar vacas leiteiras de cujo leite era feito queijo, sobrando o solo que, enriquecido com leite de soja era usado na desmama de bezerros e suínos, irrigava apenas milho para fazer hidroponia, mais farelo, também para arraçoar vacas em outros horários e irrigava apenas soja para extrair leite e fazer farelo, para junto ao farelo de milho complementar o arraçoamento das vacas e arraçoar galinhas e suínos que, de sua fezes, após lavar a pocilga e banhar os animais, a água, passando por um biodigestor era extraído gás metano que era usado nos fogões.
   A água que sobrava eu fazia escorrer em uma irrigação por inundação entre leirões onde era plantada a batata doce que, quando madura, era moída e misturada ao farelo de milho e soja oferecida aos suínos. Isso tudo sem contar com os detritos que sobravam, que eram usados na adubação das diversas plantações e o que poderia ser feito com a ureia enriquecendo a cana e a palma, além de enriquecimento da própria água com ureia e outros poucos ingredientes, fazendo a chamada água milagrosa.
   O que era feito por mim, longe daqui, durante secas, usando água de um açude especial, será que ainda poderá ser feito aqui, durante verões, já que são pouquíssimos os que tentam, talvez porque a água já não é tanta como antes, o saber fazer é diminuto ou não existe orientação para fazer? Quanto a mim, quando o açude não mais permitiu usar a sua água, o que tiver de fazer foi me desfazer de tudo e cuidar de outra vida.
   Isso tudo escrito, se torna muito longo, maçante e quase tudo, dito ao prefeito naquela carta, o que ele deverá ter pensado? É claro, que eu sou um “chato” e queria porque queria aquela função na Prefeitura, mas com a mais absoluta seriedade, eu digo que não queria, primeiro porque eu desejava mesmo era orientá-lo, como agora acho que faço a muitos, segundo, porque eu já sabia, as cartas estavam marcadas e, terceiro, eu também já sabia, desde a eleição anterior que, só assumiria qualquer função na prefeitura quem fosse jovem e eu, como já de certa idade, conhecendo o meu lugar como conheço, seria, entre muitos, apenas mais um “Zé ninguém que sou, sem voz e sem vez”, achando hoje que, não deveria ter feito aquela carta, por certo mal interpretada, mas esperando o bem do município que o prefeito considere o lema do blog do Crato: “Sua opinião interessa” e ele, aliado ao nosso grande governador, que já fez e faz muito pelo estado, façam, os dois, tudo o que o nosso município precisa e merece.

Helder Macário
02/11/2017

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