29 setembro 2017

Brasil comemora 300 anos da imagem de Nossa Senhora Aparecida – por Armando Lopes Rafael

Algumas curiosidades sobre a maior devoção do povo brasileiro (1ª Parte)


1ª curiosidade – Pouca gente sabe, mas o Padroeiro Principal do Brasil é São Pedro de Alcântara
Logo após a Independência do Brasil, o Imperador Dom Pedro I compreendeu que o Brasil precisava ter um santo padroeiro oficialmente autorizado pelo Vaticano. É bom esclarecer que, antes dessa constatação, Dom Pedro I, já tinha feito de modo pessoal (sem autorização do Papa) a consagração do Brasil a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Isso aconteceu na capelinha de Nossa Senhora Aparecida, no então município de Guaratinguetá, quando do retorno Imperador de São Paulo para o Rio de Janeiro, logo após ele ter declarado o Brasil independente de Portugal, com o simbólico grito de “Independência ou Morte!”, em 7 de Setembro de 1822, às margens do Riacho Ipiranga.
Pois bem, no Rio de Janeiro, Dom Pedro I formalizou esta solicitação, e através da Bula de 31 de maio de 1826, o Papa Leão XII, proclamou São Pedro de Alcântara Padroeiro Principal do Brasil.
Agora vem o desfecho. Com o golpe militar de 15 de novembro de 1889, que instaurou – sem consulta popular – a forma de governo republicana no Brasil, São Pedro de Alcântara foi sendo discretamente e programaticamente esquecido, provavelmente porque seu nome lembrava o dos dois imperadores da nossa pátria (Dom Pedro I e Dom Pedro II, ambos registrados como “Pedro de Alcântara”). Todos sabem que a República foi implantada no Brasil através da mentira. E da mentira ela vem se sustentando durante nesses 128 anos, até chegar aos caos político, econômico e social dos presentes dias...
Dom Pedro I foi rezar aos pés de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, logo após proclamar a independência do Brasil
2ª curiosidade – Dom Pedro I e sua neta, a Princesa Isabel, estão entre os devotos ilustres de Nossa Senhora Aparecida
Cartão fúnebre da Princesa Isabel, a Condessa D’Eu, distribuído em Paris em 1921

   Além da consagração extraoficial que Dom Pedro I fez do Brasil a Nossa Senhora Aparecida, vinte anos antes de assinar a Lei Áurea (que libertou a raça negra da escravidão no Brasil), a Princesa Isabel e o esposo desta, o Conde D’Eu, visitaram a capela de Nossa Senhora Aparecida pedindo a graça de filhos para o casal. Eles estavam casados há quatros anos, mas a Princesa não conseguia engravidar. Depois dessa visita a Princesa Isabel teve três filhos.
Por conta disso, o primeiro manto de veludo azul, ricamente adornado, doado a Nossa Senhora Aparecida, bem como a coroa de ouro de 24 quilates, cravejada de brilhantes, foi um presente da Princesa Isabel. Bom lembrar que o manto, entregue em 6 de novembro de 1888, tinha a verdadeira bandeira do Brasil: verde (cor da Casa dos Bragança de Dom Pedro I) e amarelo (cor da Casa dos Habsburgo, da Imperatriz Leopoldina) com o escudo imperial ao centro.
Bandeira imperial que constava no primeiro manto azul usado na imagem de Nossa Senhora Aparecida

   Só em 1904, quando a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi solenemente coroada, em 08 de setembro daquele ano, no Rio de Janeiro, é que fizeram um novo manto, desta feita  com a bandeira da República. Ou seja, preservando a antiga bandeira imperial, sem o brasão das armas no centro, e, no lugar deste, colocada a atual esfera azul com o lema positivista  “Ordem e Progresso"

– As curiosidades continuarão no próximo artigo –

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