17 agosto 2017

Qual o local de Crato onde teria nascido o Padre Cícero? - por Armando Lopes Rafael

Duas versões são defendidas, entre os historiadores regionais, quanto a casa onde teria nascido, na cidade do Crato, o Padre Cícero Romão Batista. A primeira, – difundida por Irineu Pinheiro – defende que o famoso sacerdote veio ao mundo numa residência existente, em 1844, na atual Rua Miguel Limaverde, à época conhecida como Rua Grande ou Rua do Comércio. Aquela casa pertencia ao coronel Pedro Pinheiro Bezerra de Menezes, e posteriormente foi desmembrada em duas residências. Ambas demolidas, quando do alargamento daquela rua, de forma insana, cuja consequência foi destruir o que restava do patrimônio arquitetônico do Crato, naquela rua, “para dar lugar à passagem de veículos automotores” (sic).
A outra versão, a que me parece mais certa, defende que o Padre Cícero nasceu numa casinha simples, em meio às árvores frutíferas, no terreno onde hoje se ergue o antigo Palácio Episcopal, localizado na atual Rua Dom Quintino, àquela época conhecida por Rua das Flores.
Irineu Pinheiro defendia o imóvel da Rua Miguel Limaverde, como o local do nascimento do Padre Cícero, baseado em depoimento de uma escrava da família do famoso sacerdote, conhecida como “Teresa do Padre”, uma mulher humilde e bastante estimada na cidade de Juazeiro do Norte, onde gozava a fama de uma pessoa virtuosa e de credibilidade.
Entretanto outro conhecido historiador, Padre Antônio Gomes de Araújo, escreveu este depoimento:“Teresa do Padre, já começava a mergulhar no crepúsculo da própria memória, cuja desintegração começara”. Ou seja, a boa velhinha caminhando para os cem anos de idade, já não dominava mais a própria memória, deficiência física a que estamos sujeitos todos nós, quando a velhice irreversível nos domina.
Esta versão de que o Padre Cícero nasceu numa casinha simples, onde depois seria construído – por Dom Francisco de Assis Pires, segundo Bispo de Crato, tem outros defensores. Segundo depoimento prestado pelo cônego Climério Correia de Macedo ao Padre Antônio Gomes de Araújo – e incluído no livro “A Cidade de Frei Carlos – o velho cônego declarou: “Minha tia paterna, Missias Correia de Macedo, cortou o cordão umbilical do Padre Cícero numa casa que foi substituída pelo palácio de Dom Francisco". 
E continua Padre Gomes no seu livro acima citado: “É corrente que, no chão em que se ergue aquele palácio, havia de fato uma casa, que foi cenário, por exemplo, da recepção do Padre Cícero quando este chegou do Seminário de Fortaleza, ordenado sacerdote, bem como das festas que envolveram a celebração de sua primeira missa. É certo que dita casa pertenceu ao major João Bispo Xavier Sobreira (...) Com sua morte a dita casa passou à viúva, dona Jovita Maria da Conceição. Seus herdeiros venderam a casa a esta diocese”. Assim, tudo está a indicar que o Padre Cícero veio mesmo ao mundo numa casinha simples, entre árvores frutíferas, localizada no terreno onde hoje se ergue o desativado Palácio Episcopal.
Um dia o Crato voltará a dar prioridade à conservação do seu acervo histórico-cultural. Quem sabe, o Governo do Ceará providencie a colocação de uma placa, assinalando o local onde nasceu um dos mais conhecidos sacerdotes católicos do Brasil, o ilustre filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista. No momento -- triste é reconhecer --, nossas autoridades não têm como prioridade preservar a memória histórica de Crato. Nosso patrimônio arquitetônico anda tão ultrajado e tão descaracterizado, que – nem de longe – lembra a outrora Capital da Cultura do Cariri...

(Texto e Postagem de Armando Lopes Rafael)

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