06 abril 2015

Solidão Futebol Clube - Por: Emerson Monteiro

Na mesa do coração da gente, vêm servidos diversos quitutes de todo sabor, medida certa das idades que fervilham secas, inexperientes, nos poros suarentos da juventude que dispara rumo ao desconhecido...

Primeiro, nas portas iniciais da infância, doce inocência se apresenta aos demais, deixando entrever multidões famélicas, sequiosos projetos de rostos vivos, umedecidos de esperança, na forma de flores multicoloridas, pessoas, outros possíveis eus, em elaboração febril. Então, jardins festivos lhes perfumam as bocas de gostosas possibilidades. Frutos resinosos escorrem aurora nos lábios abertos aos quatro ventos, apresentando, pouco a pouco, travo de pomos amargos, motivo de náuseas temperadas de beijos amenos, ao desencontro do futuro incerto.

Depois, algumas aventuras vivenciadas no aberto das manhãs radiosas, ao calor das 9h, quando véus caem leves; suaves sinais de vibração intensa que sacode blocos metálicos de fibras íntimas, demonstrando movimentos de cordas profundas, contrariando por dentro leis requentadas de sobrevivência, prováveis a qualquer custo, das paixões originais. Amores desfeitos viram fantasmas ambulantes, surpresas ingratas, vagas monumentais que cobrem dias de ausência, praias de passos rasos, areias quentes, sonhos atrozes despertados, preocupações ainda por resistir, embates de traços lindos, exóticos espelhos ovalados em quartos de sonhos largados pelas camas desfeitas.

Meio-dia, porém, quando as experiências azuis nutrem arquivos de tanta memória do pouco resultado concreto acumulado; e o estágio determina melhores estudos de nós mesmos, quer-se compreender sistemas externos de trabalhar sentimentos no peito dos amores independentes, fora de convencionais esquemas familiares. A sociedade, contudo, reclama tipos de procedimento que, quase sempre, tirados raros respeitáveis parceiros ajustados, reflete o senso comum de irresponsáveis amantes. Histórias milenares inundam as páginas dos folhetins, exemplos avessos que bem poderiam e não se perfizeram na realidade aberta das inundações friorentas das cheias antigas.

Às 3h da tarde, passada a modorra, quem aprendeu, aprendeu... Houve chances disso. Alguns ainda persistem nas ranhuras errantes; coçam peles enrugadas, indiscretas, e refazem lances imaginários, admitindo falhas graves nas estratégias postas em campo. Alimentaram nutridas vitórias, cautelosos daqueles que os ouviam, pois ninguém conta vantagem de assunto desfeito no cotidiano amoroso de lugares próximos e distantes.

Nesse tempo, carga frustrada machucando o lombo dos animais sensíveis; pensativos momentos bons viram pura saudade, o que poucos guardam de coisas ruins, no entanto.  

Fim de tarde, época contrita das bocas abertas, na velha fornalha de eras esquecidas, sopradas de leques agitados, asas mudas em brisas frias, no pescoço brilhante escorre suor encantado de damas, mostra transcendental e suas rendas de saias e bicos esmaecidos, entrevistos na dobra dos ventos revirados. Afã de conquistar tresmalhadas noites perdidas, casais transferem ao rio do tempo o ardor dos corações, em plumas avermelhadas, nos fragores poentes e doidas lições.

Quantas vezes restam a sós esses namorados fogosos, na descompressão de ritmos impacientes. Viram trastes inúteis que realçam as nuvens brancas de horas escuras, almas penadas, vadios corações, em meio aos suspiros soltos. Logo chegam os convivas animados e outro banquete começará no berço das mesas arrumadas em volta.

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