17 fevereiro 2015

O que escutei sobre a menina Benigna -- por Armando Lopes Rafael

    
   Corria o Ano da Graça de 2001...
  Lembro-me como se fosse hoje!  Foi naquele ano que ouvi falar, pela primeira vez, na menina-mártir Benigna. Àquela época eu era bancário e trabalhava no Banco do Nordeste do Brasil, instituição na qual me aposentei três anos depois. A serviço daquela instituição bancária viajava semanalmente à cidade de Santana do Cariri. Num certo dia dirigi-me ao povoado de Inhumas, em busca de conhecer fatos sobre Benigna Cardoso da Silva, nascida em 1928 e assassinada em 1941, aos treze anos de idade, naquela localidade. Quando retornei, vinha de tal forma impressionado com a vida da menina-mártir, que escrevi um artigo – com o título de “A Santa de Inhumas” – o qual foi publicado no diário “Jornal do Cariri”, edição da quarta-feira, 26 de dezembro de 2001.
   Quando da minha visita, um dos mais antigos habitantes do povoado de Inhumas, o Sr. Francisco Agostinho Pereira – mais conhecido por “seu Chico”, escultor de santos de madeira – satisfez a minha curiosidade. Na ocasião, acompanhou-me o Secretário de Turismo da Prefeitura de Santana do Cariri, Aurisvaldo Aquino. “Seu Chico” contou-me a história da menina-mártir. Disse-me “seu Chico” que Benigna levava uma vida igualzinha às demais adolescentes do lugarejo. Fazia as tarefas da casa da família que a criava, já que era órfã de pai e mãe. Estudava e, dentre as suas obrigações domésticas, constava ir buscar a água para o consumo dessa família. Para isso se deslocava, diariamente, a um poço que ficava distante da casa onde residia. Apesar de pequena e franzina, ia todos os dias, com um pote à cabeça, em busca dessa água.
     Outro habitante de zona rural de Santana do Cariri disse-me que uma coisa diferenciava Benigna de boa parte dos adolescentes residentes nos sítios. Alguns jovens, mesmo naquela recuada época,  já tinha costumes pouco recomendáveis no que diz respeito às atividades sexuais. Alguns rapazes costumavam reunir-se, em locais mais isolados da zona rural, para práticas promíscuas, desconsiderando as proibições sexuais e praticavam ações marcadas pelo desregramento moral.
       Benigna possuía uma postura diferente. Era recata, tinha um comportamento puro, gostava de rezar e ia semanalmente à cidade para assistir às missas na Igreja de Sant’Ana. Todos a respeitavam por sua conduta exemplar.
       Lembro-me que escrevi no meu artigo, em 2001: “Apesar de tudo isso, sua figura atraiu a atenção de um jovem com cerca de 16 anos, Raul Alves de Oliveira. Benigna nunca alimentou expectativa quanto às propostas que lhe eram feitas por Raul. No dia 24 de outubro de 1941, nove dias após ter completado 13 anos, Benigna fez os seus afazeres domésticos. Depois colocou o pote à cabeça e enfrentou, sob o sol causticante do verão, o caminho que separava a fonte d’água de sua casa. Antes de atingir o local, aparece de repente, saindo de trás de uns arbustos, Raul que lhe faz novas propostas amorosas, recusadas por Benigna de forma categórica. Tresloucado, Raul saca de uma faca e golpeia por três vezes o corpo franzino da mocinha.
        O fato chocou toda a população. Depois da morte de Benigna começaram as romarias ao local onde ela foi assassinada”
         O resto da história hoje é do conhecimento de todos. Após a chegada do 5º Bispo de Crato, Dom Fernando Panico, e por  iniciativa deste, foi aberto o processo de beatificação da menina Benigna. O processo foi concluído, enviado a Roma, e Benigna já recebeu,da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos,  o título de Serva de Deus.
        A Serva de Deus, Benigna Cardoso da Silva poderá ser proclamada,em breve, Beata da Igreja Católica Apostólica Romana.

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