30 dezembro 2014

Que viva a Urca - Por: Emerson Monteiro

Texto produzido em 29 de maio de 1987 para o Diário do Nordeste, de Fortaleza CE.

Como no princípio, que era o Verbo, e Ele se fez carne, habitando entre nós, assim também tudo tem de passar pela ideia (leia-se esquema) para se concretizar, no mundo das coisas tangíveis. É essa a lei do mundo fenomênico, que, de forma matemática, ocorre sempre, nos ritos da Natureza.

Para que um povo tenha autonomia civilizatória, é necessário que antes organize o intelecto, salto definitivo que se equivale ao percurso da animalidade à cultura, tão bem representado por Stanley Kubrick, no filme 2001, Uma odisseia no espaço (cena dos macacos a lutarem com clavas de ossos, quando uma delas se transforma - corte cinematográfico - em nave espacial viajando no futuro).

Ponto de detalhe e vemos isso ocorrer agora, nas terras do Cariri cearense, quando, afinal, no âmbito dos séculos, surge a formalização auspiciosa de sua universidade, com todos os foros jurídicos de autarquia, homologada por lei estadual n.º 11.191, de 02 de junho de l986, autorizada pelo decreto federal n.º 94.016, de 11 de fevereiro de 1987.

Que a Região dispõe de flexibilidade e infraestrutura para a iniciativa, quem se atreve duvidar?

Foram longos anos de conquistas, desde os primeiros capuchinhos, passando pelas didáticas insurreições de 1817 e 1824, com Bárbara de Alencar, Tristão Araripe, Pereira Filgueiras, além de outros heróis, até os educadores modernos e seus tradicionais colégios (Seminário São José, Diocesano, Santa Teresa, em Crato, Salesiano, em Juazeiro do Norte, e Santo Antônio, em Barbalha).

Lideranças eméritas, como Antônio Martins Filho, José Newton Alves de Sousa, Pedro Felício Cavalcanti, Raimundo de Oliveira Borges, Luiz de Borba Maranhão, dentre outras, elaboraram os alicerces da educação superior aos caririenses.

Acatemos, pois, de bom grado, o prêmio maior que se merece.

Os intelectuais fazem história por intermédio da transmissão de conhecimentos, como os técnicos pela aplicação da Ciência; dessa maneira, admitimos a vitalidade educacional, processo que se perfaz acima da política partidária, tantas vezes razão de estagnação e retrocesso.

Alguns retóricos sugerem a incerteza como tônica do futuro. No entanto, se sabe pela livre experiência de viver que incerto foi o passado, visto seus erros acumulados, que o tempo recolheu na bagaceira dos engenhos primitivos, anacrônica agroindústria canavieira, para tempero da garapa nas caldeiras e tachos do amanhã. E somos os contemporâneos que responderemos, neste pé-de-serra, ao desafio de agora, fornecendo luz aos clientes do saber, nossos filhos e os filhos deles.

Em seu nascimento, a Universidade Regional do Cariri tem direito ao nosso mais carinhoso abraço, e sonhar com ela o verde porvir das grandes realizações torna-se uma obrigação principal.

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