16 dezembro 2014

Ministro alemão vê manifestações contra refugiados como vergonhosas

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O governo alemão voltou nesta terça-feira a criticar as manifestações de cunho islamofóbico que acontecem a cada semana no país, e o ministro da Justiça, Heiko Maas, disse que é "vergonhoso" alguém se manifestar contra os refugiados mostrando os valores cristão do Ocidente.

Maas atacou diretamente o movimento Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente (Pegida), que desde outubro convoca toda segunda-feira uma manifestação em Dresden (leste do país) e que ontem conseguiu reunir nas ruas da cidade cerca de 15 mil pessoas.

Em um ato organizado em Berlim pelo Escritório Federal para a Formação Política sob o título "Liberdade de opinião e difamação", Maas advertiu que não compreende, sob nenhum conceito, os instigadores deste movimento, além dos "que se deixam seduzir" por eles.

No mesmo ato, o ministro do Interior, Thomas de Maizière, também criticou o Pegida, apesar de considerar legítimo que cidadãos tenham dúvidas perante o crescente número de refugiados que a Alemanha recebe -só neste ano, houve mais de 200 mil solicitações.

De Maizière, companheiro de fileiras da União Democrata-Cristã da chanceler Angela Merkel, quis no entanto deixar claro que não há nenhum risco de islamização do país e rejeitou que o racismo ou a xenofobia possam ter um lugar no debate público.

As grandes manifestações das segundas-feiras do Pegida estão marcando a agenda política em um país que acreditava ter encurralado os movimentos de extrema-direita, que não congregavam nem centenas de pessoas quando organizavam concentrações contra a lei de asilo ou a amparo de refugiados.

Pegida -como outros grupos existentes em outras cidades alemãs, embora com muitos menos seguidores- tenta se desligar da estética da extrema-direita tradicional, embora compartilhe uma de suas essências, a rejeição ao estrangeiro, e carrega em todos seus atos a bandeira alemã como símbolo frente à crescente chegada de imigrantes.

Em suas manifestações, o Pegida assegura que não se opõe ao amparo de refugiados perseguidos por motivos políticos ou religiosos, mas sim àqueles que buscam a imigração econômica, e por rejeitar os muçulmanos que não se integrem no país.

"Pegida defende a manutenção e a proteção de nossa cultura ocidental judia-cristã", sublinham no manifesto com o qual se apresentam na internet.

Frente aos 15 mil manifestantes que ontem responderam à chamada deste movimento em Dresden, cerca de 6,5 mil cidadãos se somaram na mesma cidade à manifestação convocada em favor de uma sociedade aberta e multicultural.

"Não se pode deixar as ruas em mãos de racistas e xenófobos", recalcou o ministro alemão de Justiça para elogiar os cidadãos que participam dessas outras manifestações.

EFE      

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