16 dezembro 2014

200 anos da morte do Aleijadinho tendo Ouro Preto como palco (por Armando Lopes Rafael)

Tive a felicidade de me encontrar em Minas Gerais no último dia 18 de novembro, data em que o Brasil comemorou o bicentenário da morte de Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como o “Aleijadinho”. Este herdou do pai – um famoso arquiteto e mestre-de-obras português a aptidão artística para a escultura e criação projetos arquitetônicos. O também mestre-de-construção Aleijadinho era filho deste português e teve por mãe uma escrava africana de nome Isabel.  Aleijadinho é reconhecido como um gênio, e mesmo padecendo de uma doença degenerativa – que o levou o perder até os dedos da mão – legou-nos obras de arte inigualáveis...
Segundo o historiador Fábio Magalhães, “Antônio Francisco Lisboa foi alforriado pelo pai ao ser batizado. Aos doze anos ingressou no seminário de Donatos do Hospício Terra Santa, e durante nove anos estudou com os frades leigos da Ordem dos Esmoleres da Terra Santa, onde recebeu aulas de gramática, latim, matemática e religião (...) teve seu aprendizado prático como artesão na oficina de seu pai, especialmente com seu tio Antônio Francisco Pombal, bem como com outros artistas portugueses que emigraram para Minas na primeira metade do século XVIII. Aos 14 anos projetou o risco em sanguínea do chafariz para o pátio do Palácio dos Governadores em Ouro Preto. Com quase 20 anos, foi encarregado do projeto e execução do chafariz em pedra-sabão (esteatita) nos fundos do mosteiro do Hospício da Terra Santa, em Ouro Preto. Esta é considerada a sua primeira obra como escultor. E a maestria no trabalhar a pedra-sabão foi, a bem dizer, a sua especialidade”.
Voltemos à data festiva do bicentenário da morte de Aleijadinho, quando retornei a Ouro Preto. Passei todo o dia percorrendo as ladeiras daquela cidade, considerada o maior conjunto barroco do mundo. Revisitei as obras de arte deixadas pelo Aleijadinho: igrejas, imagens, altares, esculturas em pedra-sabão...
Caminhar por Ouro Preto é como retornar ao passado glorioso do Brasil! Comecei pela Matriz de Nossa Senhora do Pilar, onde me demorei extasiado nos altares pintados a ouro e no Museu da Prata, localizado no piso interior daquele templo. Depois andei a pé cerca de mil metros, subindo e descendo ladeiras, em meio ao casario colonial. Uma pausa para percorrer a Casa dos Contos, um enorme casarão – hoje transformado em museu – que serviu de fundição para o ouro que escoava pela antiga Vila Rica.
Entrei,depois, na casa do infeliz inconfidente Antônio Tomaz Gonzaga, poeta e intelectual, o qual, depois de preso e condenado, foi degredado para Moçambique, na África, onde morreu, escrevendo odes a sua Marília...
Ao meio dia, ouviu-se o repicar dos sinos das 21 igrejas de Ouro Preto. Como é bela a linguagem dos sinos.  Como dizia Rubem Alves: "o sino anuncia mundos que não existem mais". Descansei um pouco no Pátio da Igreja do Carmo e após almoçar no restaurante Quinto do Ouro, passei o restante da tarde percorrendo o Museu da Inconfidência e a igreja de São Francisco de Assis, esta considerada a obra prima do Aleijadinho. Extasiei-me com seu altar-mor e com um lavatório de pedra-sabão, ambos esculpidos pelo gênio de Ouro Preto.
Já era noite quando retornei a Belo Horizonte. Naquele instante parecia que eu despertara de um sonho bom, e caíra no pesadelo do cotidiano. No hotel liguei o noticiário da televisão. Só vi e ouvi notícias sobre a roubalheira na Petrobrás. Tomei um susto! Estava de volta ao mar de lama da maior crise moral da história do Brasil...

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