23 outubro 2014

Que venha o choque de credibilidade


Esse comportamento (branco, nulo e abstenção) é uma forma de protestar?

A sequência de eleições no Brasil tem concretizado um dado que pode ser considerado alarmante para o nosso sistema político. Aproximadamente um terço do eleitorado nacional tem optado pelos votos brancos, nulos e abstenções. No primeiro turno de 2014, os eleitores que não compareceram para votar representaram 27.698.475 milhões de votos enquanto os nulos somaram 6.678.592 e os brancos 4.420.489. No total, foram 38.797.556 milhões de votos sem candidato definido.
A Constituição do Brasil define que o voto é um dever e não um direito. Portanto, o voto é obrigatório, fator que diferencia a democracia brasileira de outras democracias mais longevas. Não seria exagero afirmar que, caso o voto não fosse obrigado por lei, os brancos e nulos (estes não são considerados válidos) provavelmente se transformariam em abstenções. Caso o exército de eleitores “sem candidato” representasse uma força política ela seria maior que a votação obtida pelo segundo colocado no primeiro turno das duas últimas eleições nacionais.
A questão que se coloca para reflexão é a seguinte: esse comportamento (branco, nulo e abstenção) é uma forma de protestar? O fato é que todas as pesquisas que se dedicam a medir o grau de credibilidade dos políticos e das instituições democráticas chegam a conclusões nada alvissareiras. Antes do primeiro turno, o Data Popular, um instituto que se especializou em sondagens junto às categorias sociais emergentes, foi às ruas para saber o que o povo brasileiro pensa da política e dos políticos.
Foram entrevistadas 15.652 pessoas, em 159 municípios, e 73% delas disseram não confiar nos candidatos que postulam um cargo eletivo neste ano. Os entrevistados também foram convidados a responder se concordavam ou não com frases apresentadas pelos pesquisadores. Entre as frases expostas, a campeã de indicações, com 65%, é a seguinte: “Os políticos são todos iguais”. Os vencedores das eleições deste ano precisam ficar bem atentos a essa questão. A grande tarefa será gerar um choque de credibilidade com o atendimento a pautas que mantêm íntima relação com as bandeiras dos milhões que foram às ruas em junho de 2013.

(editorial do jornal “O Povo” desta 5ª feira)



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