23 outubro 2014

Frei Agatângelo de Crato -- Por Armando Lopes Rafael

  
Tempos atrás, conversando com monsenhor José Honor de Brito, este me contou um fato interessante. Disse-me monsenhor Honor: ao tempo que fui pároco de São Miguel, em Crato, recebeu uma correspondência, vinda da Itália, na qual fiéis católicos – da cidade de Loreto –  pediam informações biográficas sobre Frei Agatângelo de Crato, falecido naquela localidade da Europa com fama de santidade. Os fiéis de Loreto tentavam reunir a documentação exigida pela Igreja Católica para dar entrada ao processo de beatificação daquele capuchinho, quase desconhecido entre nós de Crato.
(Na foto à esquerda, Frei Agatângelo com uma sobrinha,numa de suas visitas a Crato)

Quem foi Frei Agatângelo de Crato? Seu nome civil era Ambrósio Cícero Bezerra Lobo e foi o décimo sexto filho do casal Cícero Bezerra Lobo – antigo tabelião do Cartório de Crato – e Maria Rodrigues Bezerra. Seu pai provém do tronco do ilustre Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Ambrósio nasceu em Crato, aos 31 de maio de 1928, no seio de uma família honrada e profundamente católica. Certamente por isso escolheu seguir a vida religiosa, o que fez dentro da Ordem dos Capuchinhos, recebendo o nome de Frei Agatângelo de Crato. Com dezenove anos de idade o futuro Frei Agatângelo de Crato (anos depois ele também usaria o nome de Frei Ambrósio Bezerra Lobo), ingressou no seminário dos Capuchinhos da Bahia e Sergipe, na cidade de Esplanada (BA), onde iniciou o noviciado em 08 de março de 1947, tendo proferido os votos solenes de capuchinho em 19 de março de 1951. Depois disso ele foi mandado por seus superiores para cursar teologia no Studio Teológico dei Cappuccini Piceni em Loreto, Itália, sendo ordenado sacerdote em 11 de julho de 1954. Após a ordenação, veio visitar seus pais, irmãos e demais familiares, residentes no antigo distrito do Muriti, hoje bairro de Crato, onde foi feita a foto abaixo:


Retornando à Europa, Frei Agatângelo viveu uma temporada na Inglaterra, onde aprendeu o idioma inglês. Após contrair tuberculose foi aconselhado a voltar ao Brasil, cujo clima ajudou na cura da doença. Aqui viveu alguns anos na cidade de Alagoinhas, na Bahia, ocupando cargos de responsabilidade na Ordem dos Capuchinhos, inclusive o de guardião. Depois foi enviado por seus superiores para ser diretor da Rádio Sociedade de Feira de Santana, também na Bahia.  Depois dessa temporada no Brasil, Frei Agatângelo de Crato pediu aos superiores para voltar à Província Franciscana das Marcas, na Itália. Lá, no Santuário Mariano Internacional de Loreto, distinguiu-se pela cultura, oração e como confessor e orientador das famílias daquela região. Dotado de vasta cultura, ajudou na tradução para o português da “História dos Capuchinhos no Brasil”, obra historiador Frei Pietro Regni. Em Loreto, voltou a sofrer da implacável doença que o acometera  décadas atrás. Após longa enfermidade, bem preparado espiritualmente, terminou seus dias de vida terrena, com a fama de um homem santo, sendo chamado pelo povo daquela localidade de “Padre Agatângelo brasiliano”. O cratense Ambrósio Cícero Bezerra Lobo faleceu no convento capuchinho de Macerata, na Itália, em 22 de fevereiro 1996, aos 68 anos de idade e 49 anos de exemplar vida religiosa. Sua cidade natal ainda está a lhe dever uma homenagem à altura da sua profícua vida...


Frei Agatângelo de Crato quando foi recebido por São João Paulo II


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