31 julho 2014

Superávit fecha o primeiro semestre com o pior resultado em 14 anos



Enquanto a Receita cresceu 7,2% no semestre, despesas saltaram 10,6%. Segundo semestre exigirá muito esforço fiscal para atingir meta do governo.

Banco Central, Tesouro e Previdência fecharam o primeiro semestre com um saldo nas contas muito abaixo do esperado. O chamado “governo central” economizou tão pouco que foi preciso voltar no tempo para encontrar um resultado tão ruim.

A Receita está crescendo abaixo do que se desejava e a despesa está crescendo acima do que havia sido programado” analisa o economista Raul Velloso. O superávit ficou em R$ 17,2 milhões, metade do conseguido no mesmo período do ano passado. A poupança teve o pior desempenho em 14 anos atrás, desde 2000.

Olhando para o futuro, este segundo semestre de 2014 vai exigir muito esforço fiscal. Da meta de R$ 80 bilhões definida para o ano todo, o governo só fez 21% no primeiro semestre. Vai ter que dar conta dos outros quase 80% em apenas seis meses. O resultado fraco pode ser explicado por um cálculo simples. Os números do Tesouro confirmam: enquanto a Receita cresceu 7,2% no semestre, as despesas saltaram 10,6%. O economista Raul Velloso atribui parte da queda da Receita às desonerações tributárias que o governo concedeu a determinados setores da indústria, sem contrapartida no investimento.

“O governo achou que ele podia reativar a economia jogando gasolina na fogueira, que é jogando fogo no consumo. Só que o problema é muito mais complicado que isso. Era preciso criar as condições para o setor privado investir”, explica Velloso. Acredito que ele vai ter que se esforçar bastante, talvez até ter que usar um pouco de criatividade para chegar a esse resultado. E, se conseguir, ele deve ser alcançando de uma forma com receitas extraordinárias, não totalmente derivado do que seria um bom ajuste fiscal”  diz a economista Thais Zara. Apesar do desempenho ruim, o governo ainda mantém a meta de superávit para este ano. Conta com a entrada de pelo menos R$ 18 bilhões do Refis, o Programa de Refinanciamento de Dívidas Tributárias além de recursos que virão das concessões de rodovias e aeroportos e do leilão da tecnologia 4G. Só com o leilão do 4G, o governo estima arrecadar mais R$ 8 bilhões. Para a economista Thais Zara, as receitas extraordinárias ajudam, mas não significam um ajuste definitivo nas contas públicas.

Fabiano Andrade - Brasília, DF - G1


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