30 julho 2014

Águas do Castanhão têm 36% de reservas


Açude chega ao 3º ano de seca com 2,4 bilhões de metros cúbicos e expõe mais escombros da antiga Jaguaribara
  
Jaguaribara. O Açude do Castanhão, localizado neste município, já perdeu 1 bilhão de metros cúbicos de água de abril de 2013 para cá. Pelos efeitos do terceiro ano consecutivo de seca, as reservas hoje ficam em torno de 36%. Atualmente, são verificadas 2,4 bilhões de metros cúbicos, quando a capacidade total é de 6,7 bilhões de metros cúbicos. Pouco mais de um ano depois da última visita, exatamente em abril do ano passado, a reportagem do Diário do Nordeste, voltou a visitar as ruínas da Velha Jaguaribara, cidade desocupada em 2001 para dar lugar ao açude Castanhão. Com 36% de suas reservas, está bem abaixo dos 50% registrados na primeira visita ao local.

Desta vez , para chegar a Velha Jaguaribara seguimos por uma antiga rodovia estadual, que ligava a BR-116 até a sede do município. Não há, porém, registros da via atual mapa do Departamento Estadual de Rodovias (DER), atualizado em 2011, ou qualquer placa que identifica a rota. Apenas dois velhos pontos de ônibus abandonados à margem da BR dão acesso ao lugar. O pouco que restou da malha asfáltica é utilizada por pescadores. Quem nos guiou foi o professor Xavier Silva, antigo morador da cidade e hoje reside na Península do Curupati, no Castanhão. A viagem demorou 40 minutos. Pelo caminho é possível ver os efeitos dos anos de severa seca na vegetação. Onde havia água hoje é seco. Árvores que ficaram submersas durante mais de uma década hoje estão expostas. O chão úmido criou algum pasto onde hoje serve para alimentação do gado.

Redução

Chegando ao local registrado pela reportagem há mais de um ano, havia água bem ao lado de onde ficava a caixa d'água que abastecia a cidade. O volume do açude, na época com 3,3 bilhões de m³, ainda cobria vários pontos da antiga cidade. Desta vez a água já havia recuado cerca de 100 metros de onde era a margem, deixando ainda mais à vista vários escombros. Xavier se surpreendeu com o que viu. Depois de alguns minutos caminhando entre os escombros, ele tentava se situar, ou achar algo que trouxesse suas lembranças de volta. Da visão da caixa d'água ele descrevia como era antigamente, recolocando na imaginação cada coisa em seu lugar. "Aqui onde era a caixa d'água era chamada de Vila. Minha vó morava naquela rua", disse ele apontando para um trecho de calçamento que ainda havia pelo chão.

Hoje não só mais postes podem ser visíveis, a entrada da antiga escola, a quadra da comunidade, alicerces de casas, prédios públicos, ruas, pontos de ônibus, tudo que era cidade hoje se resumiu a uma pilha de tijolos e ferro destorcido. "Isso não foi feito para gente", desabafa Xavier, referindo-se à utilidade do Castanhão. "O que nos revolta é que não nos beneficiou em nada esse projeto. Muitas comunidades não tem água, porque essa água já tem destino. É para a capital", lamenta.

Xavier mora em uma das comunidades reassentadas de Jaguaribara, na península do Curupati, que fica dentro do açude Castanhão. Lá, não chega água tratada. Tudo o que foi prometido pelo Governo, na época, não foi cumprido.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste


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