17 março 2014

Tá feia a crise do setor elétrico: Em dois anos, Eletrobrás perdeu R$ 19 bilhões na Bolsa


Grupo já demitiu mais de 4.400 funcionários e reduziu em média 16% os gastos
(Fonte: VEJA)
Edifício da Eletrobrás na avenida Presidente Vargas, centro do Rio (Reprodução/Google)

O dia a dia da estatal Eletrobrás não tem sido fácil desde a renovação das concessões elétricas, em 2012. Para se adequar à nova realidade, com queda de receita e piora nos indicadores financeiros, o grupo já demitiu mais de 4.400 funcionários, reduziu em média 16% os gastos gerais e ainda deve trocar sua sede, no centro do Rio, por um anexo no prédio de Furnas, no bairro de Botafogo, para economizar o aluguel. Tudo isso, porém, não foi suficiente para melhorar os indicadores.
Desde o início do processo de renovação - que foi estabelecido pelo governo como uma forma de baratear o custo da geração de energia e, assim, conseguir chegar ao desconto de 20% prometido na conta de luz -, a estatal perdeu R$ 19,2 bilhões em valor de mercado e praticamente enterrou o sonho de se tornar a Petrobras do setor elétrico.
As condições para antecipar a renovação das concessões de geração e transmissão de energia que venceriam em 2015 e 2017 foram lançadas em 2012. A proposta previa indenização pelos ativos ainda não amortizados em troca da queda drástica no valor da energia vendida. O problema é que o valor da indenização ficou abaixo dos cálculos do mercado e dos números das próprias empresas.
A Eletrobrás esperava receber cerca de R$ 30 bilhões, mas foi obrigada a aceitar os R$ 14,4 bilhões propostos pelo governo - seu principal acionista. Além de causar uma bagunça no setor, deixando as distribuidoras sem contrato de fornecimento garantido de energia, o plano federal fez as receitas da estatal despencaram. Resultado: em 2012, a Eletrobrás teve o maior prejuízo da história das empresas de capital aberto, de R$ 6,8 bilhões. De lá pra cá, os indicadores seguiram o ritmo do setor elétrico e só pioraram.
Segundo levantamento da consultoria Economática, com base no último balanço, a rentabilidade da empresa - em 12 meses até setembro - estava negativa em 15,59%. A margem Ebitda (geração de caixa) também está no vermelho: -38,46% - esse indicador mede a lucratividade da empresa.
Por enquanto, os investimentos não foram afetados por causa da indenização do governo. Até setembro de 2013, ela havia recebido R$ 8,8 bilhões dos R$ 14,4 bilhões. Cerca de 70% dos projetos são financiados pelo BNDES. Só 30% saem do caixa da estatal, que tem sido minoritária nos empreendimentos.
O problema é que uma hora a indenização vai acabar, destaca o analista da J. Safra Corretora, Sérgio Tamashiro. Ele diz que o início de operação de alguns projetos pode aliviar um pouco o caixa da estatal. Mas o retorno dos projetos é baixo. Relatório do JP Morgan mostra que hidrelétricas - com participação da Eletrobrás - estão com rentabilidade reduzida: em Jirau, a taxa é de 3,2%; Santo Antônio, 5,9%; e Belo Monte, 7,2%.

Opinião do Leitor
Tá todo mundo anestesiado?
A sociedade brasileira parece estar vivendo num torpor, numa indiferença que assusta. Assusta porque, se essa indiferença continuar, o que está acontecendo nas cidades brasileiras com relação à segurança só vai piorar. O fato de que os números de mortes por dia no País são comparáveis a países em guerra não mais sensibiliza. Quando se vê que morrem no trânsito ou assassinados mais de 300 pessoas por dia, é como se um avião como o da Malaysia Airlines caísse todo dia no Brasil. O que dizer, então, dos que acham que os bandidos são vítimas da sociedade capitalista, como se não existisse o livre arbítrio? O que dizer do governo brasileiro, que apoia as posições do presidente venezuelano e que nada diz sobre as mortes violentas naquele país? Ou sobre a leva de médicos cubanos que vem para cá trabalhar como escravos, recebendo uma miséria do que lhes foi prometido (e a diferença ficando com o governo cubano) e com capatazes que os confinam sem que possam circular livremente pelas cidades? Por que aceitamos isso? Estamos anestesiados, adormecidos, perdemos os valores morais? Se todos se calarem diante de tantos casos absurdos e a letargia se apoderar do País, estamos perdidos.
Maria Tereza Murray (terezamurray@hotmail.com)
                                                        

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