07 março 2014

Situações bem humoradas - Por: Emerson Monteiro


Tempo das rinhas de galo, esporte perseguido pela proteção dos animais, e forasteiro viciado em apostas quis fazer uma fezinha, ainda que desconhecesse a fama dos bichos contendores daquela hora. Nisso, resolveu perguntar a um expectador qual era o galo bom entre dois que iniciavam combate. Sem titubear, o homem apontou aquele em que acreditava ser melhor. Daí, o embate transcorreu de igual para igual, até o galo indicado perder fôlego e cair derrotado, para contrariedade do apostador. Este logo procurou o palpiteiro a fim de tomar satisfação:

- O senhor me enganou na escolha do galo de apostar.
- Não, senhor! O senhor quis saber foi do galo bom, e eu disse. Se tivesse perguntado qual o pelverso, eu teria dito que era o outro, esse que ganhou a luta, por ser valentão e resistente; e aqui nunca perdeu.
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José Luiz de França, Zeba, alfaiate conhecido e líder político de Crato na época da antiga UDN, vereador de várias legislaturas e ex-presidente da Câmara Municipal, visitava em noite de comício as hostes gloriosa da sua agremiação na cidade de Nova Olinda.
Quando chamado ao microfone para discursar, seu Zeba expressaria todo seu entusiasmo em tirada espirituosa:
- Nova Olinda! Nova, porque és nova. Linda, porque és linda.
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Ele, ao se hospedar na fazenda Condado, no Piauí, pertencente ao dr. Antônio Araripe, de manhã cedo foi visto pela esposa do dono da casa utilizando a escova de dente que a ela pertencia. Bem educada, a boa senhora considerou:
- Seu Zeba, essa que o senhor está usando é a minha escova.
Sem perder o tom sereno e grave, o político cratense retrucou:
- Eu sei, dona Donita. Mas acontece que não tenho nojo da senhora, não.
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Espedito Gurgel, esposo de tia Nildes, irmã de meu pai, demonstrava constantes preocupações devido às atividades profissionais que desenvolvia em Crato, a ponto de se tornar desligado ao extremo.
Certa feita, defronte à Estação Ferroviária, subiu de jipe a Praça Francisco Sá, indo jogar o veículo em cima de um dos bancos do logradouro.
Rodeado de populares, no afã do acidente, ouviu alguém dizer:
- Está tudo bem, seu Espedito. Só o jipe é que estragou um pouco ali na parte da frente.
Em face da observação, ainda meio abalado, tio Espedito retrucou:
- Jipe! Jipe! Que jipe?
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Livreiro em Crato por mais de 60 anos, certa feita, Ramiro Maia recebeu intelectual de Fortaleza que lhe observava o estoque de seu comércio. Meticuloso, o visitante examinava os livros um a um, e avaliou com solenidade, indicando com a mão:
- Conheço todos eles; por dentro e por fora.
Tranquilo, seu Ramiro apenas sorriu de leve e revidou:
- Conheço todos; mas só por fora.



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