08 março 2014

Crônica do domingo -- 250 anos de fundação do Crato: algo a comemorar? – Por Armando Lopes Rafael (*)



A esta altura do campeonato – faltando apenas três meses para o dia 21 de junho – dificilmente os cratenses terão uma comemoração à altura, motivada pelos dois séculos e meio de existência da sua cidade. Quando muito, acontecerá alguma sessão pífia, com a inevitável presença de políticos, e estes com suas credibilidades em queda livre, mas prenhes em promessas ocas, tendo como moldura suas loas costumeiras.
Alguma obra para ser inaugurada? Pelo menos da Prefeitura nenhuma! Há um ano e três meses no poder, a atual administração não tem uma única obra de vulto para apresentar ao povo. O mínimo que fez (alguns calçamentos de ruas suburbanas, com as superadas pedras toscas, foram obras tocadas com heranças de empréstimos contraídos na administração passada). Se eu estiver errado, corrijam-me!
Certamente, se os problemas atuais persistirem (denúncias as mais variadas, crise da Câmara de Vereadores, decadência do Demutran e de outros órgãos públicos, etc.) o balanço a ser feito no próximo dia 21 de junho será o mais deficitário dos últimos anos. Assim, melhor mesmo será deixar passar em branco essas comemorações. Para parabenizar o Crato exige-se, no mínimo, ter conhecimento da existência da nossa história, saber que já fomos paradigma de uma cidade adiantada e civilizada, ter sensibilidade de que a população tem dignidade e merece ser respeitada. Apesar dos pesares, Crato mantém sua importância no Cariri e em todo o centro nordestino. Precisamos enxergar a real dimensão desta cidade, sua projeção, e sua grandiosidade. Não nos deixemos apequenar.
Já dizia o grande Eça de Queiroz: “O Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria”. Experimentem dar uma volta pela cidade. Desafios urbanísticos imensos, buraqueira, praças malcuidadas, lixeiras destruídas, poluição sonora todos os sábados na Rua João Pessoa e adjacências. E falta planejamento ou falta  decisão política para enfrentar todos esses desafios...
O que a população cratense politizada exige, no mínimo, é que os nossos administradores pensem grande. Saiam do marasmo atual e transformem esta cidade numa urbe bem cuidada, como já vem acontecendo com outras cidades de menor porte.  Iguatu, para citar um único exemplo...

(*) Armando Lopes Rafael, historiador.

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