18 fevereiro 2014

Chuvas não melhoram nível dos reservatórios


Na região Nordeste, os reservatórios das hidrelétricas estão com 42,4% da capacidade de armazenamento de energia

O subsistema Sudeste/Centro Oeste está com 35,5% da sua capacidade, menor nível desde 2001
Rio. Apesar da ocorrência de chuvas em áreas importantes, como São Paulo e Goiás, que abrigam os principais reservatórios do subsistema Sudeste/Centro Oeste, o relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou ontem (17) que a situação dos reservatórios não apresenta variação significativa em relação à da semana passada. No último domingo, conforme o ONS, os reservatórios deste subsistema estavam com 35,5% de sua capacidade máxima, percentual estável em relação ao sábado. Este é o nível mais baixo desde 2001.

No subsistema Nordeste, o nível está em 42,4%, enquanto os reservatórios do Sul operam com 43% da capacidade. A situação mais confortável, de acordo com os dados do ONS, é a da região Norte, com 72,4% do volume total de água armazenada. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (INPE), Gilvan Sampaio, pondera que a falta de chuvas em pleno verão se tornará cada vez mais frequente no Brasil nos próximos anos. A razão é o aumento da temperatura em todo o globo terrestre, o que tende a potencializar a intensidade dos eventos climáticos no futuro.

Como o sistema elétrico brasileiro é predominantemente hidroelétrico, o pesquisador chamou atenção para a importância de o setor estar preparado para lidar com as mudanças climáticas. “Os extremos climáticos serão mais frequentes. Quando chove, chove com maior intensidade. O período seco será mais prolongado e intenso. Essas questões precisam ser incorporadas na operação das hidrelétricas brasileiras”, afirmou.

Temperaturas

O aumento das temperaturas tem colocado em xeque uma máxima conhecida entre os especialistas em meteorologia, de que no Brasil o verão é chuvoso e o inverno, seco. Em 2014, tem ocorrido o oposto, com o verão extremamente seco. A causa é um bloqueio atmosférico formado por uma massa de ar quente e seca, que tem impedido o avanço das frentes frias causadoras das chuvas.
Sampaio explica que, normalmente, esse sistema de alta pressão se forma no meio do oceano Atlântico. Porém, essa massa se posicionou mais próxima ao continente desta vez. Além de impedir as chuvas, o sistema de alta pressão se caracteriza por temperaturas elevadas, como pode ser observado nos sucessivos recordes de temperaturas registrados nas principais cidades brasileiras nas últimas semanas.

A ocorrência desse fenômeno gera o aumento da temperatura dos oceanos, intensificando o processo de evaporação. Com isso, nuvens mais profundas são formadas e, uma vez “furado” o bloqueio atmosférico, chuvas mais intensas ocorrem. No fim de semana passado, uma frente fria conseguiu superar a massa de ar quente e seca, ocasionando chuvas no Sul e no Sudeste. Em alguns municípios no interior de São Paulo, as chuvas foram tão fortes que pontos de alagamentos foram registrados, obrigando famílias a deixarem as suas casas. Contudo, o especialista afirma que a massa de ar quente e seca voltará a ganhar força nas duas próximas semanas, elevando novamente as temperaturas. A falta de chuvas, aliada ao consumo elevado de energia, contribuiu para reduzir significativamente o nível dos reservatórios.

Diário do Nordeste
FOTO: CID BARBOSA


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