07 janeiro 2014

Voa, Moacir - Por: Fernando Dantas


Moacir Ribeiro Dantas despediu-se deste mundo no dia 27 de dezembro de 2013, aos 90 anos recém-completados, deixando sua amada Irene, minha mãe, sua fiel escudeira durante 65 anos, e a todos nós, filhos, noras, genro, netos, bisnetos, irmãs, cunhados, sobrinhos e amigos, tristes e desolados, a prantear a dor e a saudade de um ser humano especial, que honrou e dignificou sua vida com exemplos marcantes de perseverança, generosidade, pureza de espírito, humildade, fé em Deus, amor à família e respeito ao próximo, graças à formação ética, moral e cristã, generoso legado de benquerença que ele semeou entre aqueles que tiveram o privilégio de sua convivência saudável, sempre disponível para servir, conquistando a todos com sua alegria e espontaneidade.

Natural de Missão Velha, onde nasceu em 10 de dezembro de 1923, meu pai, ainda jovem, e recém-iniciado na prática de comércio, estabeleceu-se no Crato em 1946, onde fundou o Armarinho Realce, uma das mais populares lojas de miudezas da Princesa do Cariri, tornando-se rapidamente querido por seus incontáveis fregueses e amigos, dada a forma peculiar e folclórica de atender à clientela, que se deliciava com seus “causos” e seus bordões jocosos, como: “Chamelaí, chamelaí, não deixe ela passar p’a Sá, não!” (Para os menos lembrados, Sá era um seu concorrente na Bárbara de Alencar), ou quando dizia de seu orgulho por ter atendido a clientes ilustres, como Orlando Silva, a quem vendeu “uma tesourinha de cortar unhas e um par de baralhos COPAG 139”.

Em 01 de janeiro de 1949, contraiu núpcias com Irene de Sá Barreto Dantas, que foi sua companheira sempre presente e dedicada até a hora de sua partida, uma mulher de fibra incomparável, uma guerreira que o apoiou em todos os momentos, dividindo com ele alegrias e tristezas, presenteando-o com 8 filhos, Fernando, Airton, Ana Maria, Maria da Penha, José Orlando, Álvaro, Everardo e Liana, para cuja educação jamais pouparam qualquer sacrifício, colocando todos para estudar com afinco desde a tenra infância, somente com a pequena renda de seu modesto negócio no Cratinho, logrando a façanha de formarem um a um, a partir de Fernando, que chegaria a Fortaleza em 1967.  

Moacir e Irene deram exemplos comoventes de superação, iluminando os caminhos que nos tornariam pessoas de bem, através de lições que se perpetuam nas novas gerações, desde Fernandinha, 1ª. neta, e Isaac, 1º. bisneto, totalizando 19 netos e 7 bisnetos.   
Em 36 anos de morada em Fortaleza, meu pai jamais esqueceu o Crato e, em 2006, aos 83 anos, teve esse amor reconhecido pela augusta Câmara Municipal do Crato, que lhe outorgou a preciosa comenda de Cidadão Cratense, em uma das cerimônias mais belas e emocionantes da história da cidade, nos salões do glorioso Crato Tênis Clube.

Papai é convocado para um novo desafio, em outro plano que transcende à dimensão terrena, onde não sentirá mais dores e terá a alegria de reencontrar seus irmãos e amigos que prepararam uma festa para recebê-lo com o mesmo calor humano com que ele os tratava, entoando a música que ele adorava ouvir ao chegar à Exposição: “Eu vou pro Crato, vou matar minha saudade, ver minha morena, reviver nossa amizade.” Fica com Deus, meu velho, meu querido velho! Eu e meus irmãos, juntamente com sua amada Irene, e nossas famílias, honraremos para sempre a lembrança do bravo homem que você simboliza, de um líder, de uma pessoa predestinada para grandes feitos! Voa Moacir!  Voa longe, Moacir!  Põe tuas asas de anjo e vai para junto do Pai!

Por: Fernando Dantas, filho primogênito de Moacir Ribeiro Dantas, em 02.01.2014


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