11 janeiro 2014

Há 20 anos (Janeiro/1994) - A Câmara de Meu Tempo - Por: Osvaldo Alves de Souza


Na época em que candidato à Câmara Municipal do Crato se elegia com uma centena de votos, fui eleito vereador com mais de seiscentos sufrágios. Para aquele recuado período da nossa história política (a década de cinquenta), foi fato consagrador e inusitado.Obter votação tão expressiva, de um eleitorado que mal beirava os oito mil votantes, foi proeza digna de registro. Com natural humildade recebi aquela manifestação do povo cratense como tarefa da maior responsabilidade. 

Nunca para usufruir da posição honrosa em proveito de interesses pessoais incompatíveis com os anseios da população. Com essa visão e sentimento de responsabilidade cheguei à Casa do povo em companhia de cidadãos probos, respeitáveis varões e figuras políticas da maior expressão da sociedade local. Subimos os degraus do vetusto edifício da Praça da Sé, onde funcionavam os dois poderes do Município, com aquele espírito de honradez e dignidade. Sabíamos da importância da missão confiada e da necessidade de exercê-la com grandeza, sabedoria e honestidade. Nem todos traziam pergaminhos, cultura, títulos ou anéis. Mas se nivelavam na honradez e nos bons propósitos de corresponder, com gestos e atitudes, os anseios da coletividade. Nunca resvalamos para o terreno movediço dos mercadores dos dinheiros públicos a embolsar polpudos subsídios, às custas da miséria alheia e em detrimento de obras essenciais ao desenvolvimento da cidade.

Durante quatro anos debatemos os problemas do Crato com lisura, determinação e, sobretudo, com a seriedade como deve ser encarado o mandato popular. Foram companheiros da estirpe de um José Kleber Callou, José de Paula Bantim e tantos outros já falecidos. Citemos José de Alcântara Vilar, Dr.Derval Peixoto, Unias Gonçalves Norões, José Valdivino de Brito, Joaquim de Sousa Brasil, Saturnino Candeia do Nascimento, (o mais autêntico líder da nossa história). Honraram, durante o exercício do mandato, a missão dada pelo povo através do voto.

Os problemas do Crato eram analisados, discutidos e encaminhados à consideração do Executivo, para a devida solução. Quando uma questão fugia ao nosso entendimento, convidávamos as autoridades, os presidentes de entidades de classe, profissionais liberais, os técnicos dos mais variados setores de atividades, para ilustrar os nossos conhecimentos, orientando-nos na feitura de projetos de lei do interesse da cidade. Acompanhávamos com atenção os fatos que ocorriam na "urbs", merecedores de nosso apoio ou de nosso repúdio. 

Projetos como o da construção do elevador do bairro do Seminário, do Hotel Municipal, já estariam eclodindo em entusiasmo e interesse no plenário do nosso legislativo do passado. Não respondíamos com o silêncio caviloso às ideias e às campanhas mais justas da imprensa citadina. Jamais fomos apáticos diante de problemas ou questões sociais suscitadas pela opinião pública, como no caso presente dos menores abandonados, dos meninos da periferia do Crato, relegados à sua própria sorte. "Na Câmara de meu tempo" o problema já estaria dominando os debates, pela sua extensão e gravidade. Cumprimos, até o final, a nobilitante missão que a cidade nos confiou nas urnas.

(Crônica lida na Rádio Araripe do Crato. Ago/Set 1993).
Autor: Osvaldo Alves de Sousa. Revista A Província. Janeiro/1994.
Edição: Jorge Carvalho
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