18 julho 2013

Contrariando boa parte do povo do Crato, prefeito entrega documento ao Governo, solicitando novo parque de exposições, que deverá ser no Palmeiral.



Uma Mudança Polêmica


Acima: Foto das proximidades da localidade conhecida como "Palmeiral" em Crato, localizada na área norte da cidade, entre a Vilalta e o Posto Palmeiral. Próximo do local fica o leito do Rio Grangeiro, e em época de enchentes, quase toda a região fica alagada.

O prefeito do Crato, Ronaldo Gomes de Mattos, durante a solenidade de abertura da Expocrato 2013, entregou ao secretário de desenvolvimento agrário, Nélson Martins, que na ocasião representava o governador do Ceará, Cid Gomes, um termo de audiência do ministério público, solicitando a construção de um novo parque de exposições para o Crato. A proposta, segundo o prefeito, é que o parque seja construído onde atualmente se encontra o palmeiral. Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do município nesta quarta-feira, 17 de julho, o documento foi assinado por representantes de instituições como a Câmara de Dirigentes Lojistas do Crato (CDL), Câmara Municipal, Prefeitura do Crato, Fetraece, Conpam, Semace, Corpo de Bombeiros, e Universidade Regional do Cariri (URCA).

O CRATO DIVIDIDO

Há muito tempo existe no Crato uma grande controvérsia em relação ao parque de exposições Pedro Felício Cavalcante. Os problemas são diversos, e não se restringem apenas à época da realização da Expocrato. A cidade naturalmente vem crescendo em área urbana e volume populacional, o que tem acarretado transtornos ao tráfego de veículos na área do parque de exposições, causando um estrangulamento, favorecido ainda pelo grande afluxo de pessoas que diariamente se deslocam em ônibus à partir de diversas cidades do cariri até a URCA ( Universidade Regional do Cariri ) que está localizada em área próxima. O próprio parque de exposições encontra-se desestruturado e obsoleto para receber os visitantes, apesar dos lucros astronômicos sempre divulgados enfaticamente pelo grupo gestor do evento, sendo que para 2013 é esperado um volume de negócios da órdem de 100 milhões de reais. Diversos cratenses cobram para onde está indo todo este dinheiro, que em tese, deveria ser investido na própria cidade do Crato, ou no mínimo, para a preservação do próprio parque de exposições.

Boa parte da população ( senão a maioria ), é contra a mudança do local do parque, que a exemplo de cidades onde este tipo de evento é bem-sucedido, como Uberaba-MG, se encontra no centro da cidade, sem qualquer problema. A defêsa da permanência no local é justificada pelo fato de que apenas cerca de 30 a 40 por cento da área de 33 hectares destinada ao parque de exposições é realmente usada, e a Expocrato poderia ainda se expandir bastante, com uma reforma que a tornasse ao mesmo tempo moderna, e permitisse que a população usasse o espaço como área verde da cidade não apenas durante a semana da expocrato, mas o ano todo. Existe um projeto de ampliação do parque de exposições, formulado ainda na gestão passada, do ex-prefeito Samuel Araripe, que segundo o arquiteto José Sales, consiste numa proposta originária dos projetos estruturantes do PRU CRATO/ Plano de Requalificação Urbana do Crato, de sua primeira versão de maio de 2005, e gradativamente veio sendo melhorada e adequada às demandas tanto do Crato, que teria um grande parque central multiuso, como do próprio Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, modernizando-o integralmente. 

25 Milhões - A Promessa do Governador

Em 2009, o então governador Cid Gomes prometeu cerca de 25 milhões de reais, seja para ampliação e modernização do local atual, ou para a construção de um novo parque, dependendo do desejo dos próprios cratenses. De lá para cá as opiniões têm-se dividido; Os que defendem a permanência do parque de exposições, dizem que o local já faz parte da história do Crato, e que destruí-lo, seria enterrar de vez a própria tradição da cidade. Defendem a modernização do espaço, a preservação e ampliação da sua área verde, a exemplo do Parque do Ibirapuera em São Paulo. Segundo Edson Linhares: "Eu vejo o Crato não somente para a geração de hoje, mas para os nossos filhos, e nisso é preciso garantirmos áreas verdes, parques e florestas em meio à selva de pedra. É preciso crescer, porém mantendo a sustentabilidade". Segundo J. Cândido de Carvalho, o Crato "não precisa de um parque novo, precisa é que a Expocrato seja melhor administrada, com os lucros exorbitantes desta festa sendo investidos nela mesma, e o Governo do Estado pode fazer a sua parte, melhorando o local". Os que defendem a saída do evento do centro da cidade, afirmam categoricamente que o parque se tornou obsoleto e seria melhor entregar a área para a URCA se expandir. Este pensamento é compartilhado pelo prefeito do Crato, que defende uma área localizada em local conhecido como Palmeiral, um parque segundo ele, "moderno e com mais segurança para as milhares de pessoas que frequentam a ExpoCrato."

O PROJETO DE AMPLIAÇÃO DO PARQUE E NOVAS AVENIDAS





De acordo com o projeto de ampliação do parque de exposições Pedro Felício Cavalcante, do Plano de requalificação Urbana do município - PRU, constam ampliação, modernização das instalações e equipamentos do Parque de Exposições, além de melhorias significativas à area central do Crato, incluindo-se a construção de novas avenidas de acesso, calçadão central de 1.400 metros de extensão onde estariam posicionados todos os equipamentos principais do parque, um novo tartesal para leilões, um conjunto de novos pavilhões de exposição agropecuária com 440 baias moduláveis, núcleo de restaurantes, auditório com palco interno e abertura externa semelhante ao novo auditório do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, uma arena de vaquejada, com arquibancadas, uma arena de shows e apoio infraestruturado por manifestações diversas durante todo o ano, urbanização do Riacho do Parque de Exposições e preservação integral da arborização existente, notadamente das grandes timbaúbas existentes, pista de cooper e equipamentos de ginástica ao ar livre, estacionamento para público, estacionamento para expositores currais e apoio infraestruturado, alojamento para tratadores, área de administração do complexo, modernização do Corpo de Bombeiros Militar para suporte ao Parque, modernização das Instalações Cavalaria Militar, dotação de infraestrutura de drenagem e saneamento básico em todo o parque e equipamentos, arborização intensiva e primoroso agenciamento paisagístico com espécies nativas da Chapada do Araripe

Outros detalhes do Projeto de Ampliação, segundo o arquiteto José Sales:

* O projeto prevê a extensão da Avenida José Marrocos entre as imediações do Cemitério a interconectando diretamente com as Ruas Carolino Sucupira e Coronel Antonio Luís, acima do posicionamento das instalações do Campus do Pimenta da URCA, com extensões à Rua Anusia Rolim e à futura ligação Granjeiro/ Lameiro, resolvendo de forma definitiva a questão da mobilidade e acessibilidade ao bairro do Pimenta, ao Granjeiro e ao Lameiro. E também ao Alto da Penha, Conjunto Ossian Araripe e Conjunto Pantanal. Esta seria a maior modernização do sistema viário estrutural do Crato. Drneagem e pavimentação da via. Luminotécnica urbana.

* Reconstrução do Açude do Parque de Exposição a montante, o transformando em uma bacia de acumulação para prevenção dos alagamentos no Parque, no Cemitério, na Rua da Vala e Praça da Sé. Transformação desta situação em um parque acessório ligado ao Baixo Granjeiro

* Urbanização da Encosta do Alto da Penha e arborização intensiva da mesma. Consolidação de via paisagística. Consolidação de pista de cooper e equipamentos de ginástica ao ar livre.Drenagem, saneamento e luminotécnica urbana.

* Urbanização da mata do IBAMA que originalmente faz parte da gleba original do Parque de Exposição e sua abertura para usofruto da população para fruição da natureza. Drenagem e saneamento da gleba urbanizazação do encosta do Alto da Penha.

* A dimensão da intervenção ultrapassaria a área restrita da gleba do Parque que é de 36 hectares, alcançando 44 hectares de benfeitorias urbanas e ambientais.

* Todos os estudos e proposições tem base técnica e podem ser comprovados inclusive do ponto de vista da viabilidade urbanística e ambiental, como econômica e financeira. Não existe nenhuma área com esta dimensão, qualificação e posicionamento logístico, notadamente este, no Crato e já de propriedade pública. Só na compra e urbanização de algo similar seriam empregados algo da ordem de R$ 10 a 12 milhões, que já estão ali amortizados. Urbanização e acesso à mata do IBAMA. A proposta consiste numa adequação do Parque de Exposições para PARQUE CENTRAL DO CRATO, com a reformulação dos usos e espaços, além de obras viárias, com abertura de via pericentral e via paisagística, implantação de drenagem da Área Central e rede de saneamento. Deverá ser um lugar de referência para as Exposições como para esporte e lazer e ter utilização permanente pela população local.

A IDÉIA DE MUDANÇA PARA O PALMEIRAL 

Embora o prefeito do Crato defenda hoje a mudança do parque de exposições do local atual para o Palmeiral, esta idéia não é novidade. No dia 16 de Julho de 2011, em matéria publicada no Jornal Diário do Nordeste, o então Presidente da Associação dos Criadores, Ricardo Biscussia já dizia que uma das reclamações mais frequentes dos expositores da Expocrato é a "falta de espaço" e que "o parque se tornou pequeno para a dimensão da festa". Pela mesma época, no dia 13 de julho de 2011, em entrevista ao radialista Wilson Rodrigues, o Presidente do grupo gestor, Francisco Moura Leitão ( que é sogro do governador que prometeu 25 milhões para a Expocrato ) defendia a idéia de se levar o parque de exposições para o Palmeiral, num terreno que é coincidentemente, de propriedade do Presidente da Associação dos Criadores. Segundo a entrevista do repórter Wilson Rodrigues:

"Para o presidente do grupo gestor da EXPOCRATO, Francisco Moura Leitão os investimentos propostos na requalificação e modernização do parque com sua permanência no mesmo local, não são compensatórios e defende a construção de um novo parque, deixando os 33 hectares à disposição da Universidade Regional do Cariri ou até para a implantação de uma Universidade Federal. Outro ponto positivo apontado por Leitão com a retirada do parque é a abertura de novos horizontes para o crescimento urbanístico da cidade e disse que a melhor área é um terreno de propriedade do agropecuarista Ricardo Macedo de Biscussia nas proximidades da localidade conhecida por Palmeiral e que fica no perímetro urbano." **

PREFEITO DO CRATO DEFENDE PARQUE NO PALMEIRAL


Mesmo contrário ao desejo de grande parte da população cratense, o prefeito Ronaldo Gomes de Mattos defende a idéia de um novo parque no Palmeiral. A entrega do novo documento ao Governo do Estado solicitando um novo parque causou muita indignação e debate nas redes sociais. 

Segundo A. Barbosa, "O local pretendido do Palmeiral é um alagadiço, inclusive é o leito do Rio Granjeiro em alguns trechos, sem acessibilidade e completa falta de infraestrutura. Seria de muito mais valor para o Crato modernizar a estrutura do parque atual, que serviria à cidade durante o ano todo, do que jogar dinheiro fora"

Segundo Cesar Coelho, "Vamos para a rua protestar, vamos mobilizar a sociedade, digo o povão, que serão os mais prejudicados. Já imaginaram como a população do Seminário, Caixa D'água, Pantanal, Parque Granjeiro, Pimenta, Centro, Alto da Penha, Conj. Novo Crato e outras localidades que hoje vão a pé se deslocarão para o outro lado da cidade?"

FOTOS DA LOCALIDADE CONHECIDA COMO PALMEIRAL EM CRATO:



Acima e abaixo: O local conhecido como "Palmeiral" está localizado na área norte da cidade do Crato, cortada pela Av. perimetral ( Thomaz Ostherne de Alencar ). Diversas pessoas propuseram a conservação do palmeiral, como uma das áreas pouco tocadas e destruídas da cidade.





Acima: Vista do Palmeiral para o lado da cidade, olhando-se á partir da Av. Thomaz Ostherne de Alencar.



Acima: Visão para o lado norte, á partir da Av. Thomaz Ostherne de Alencar. O Palmeiral, que é junto ao canavial, por onde passa o leito do Rio Grangeiro.



Acima: Visão para o lado norte, á partir da Av. Thomaz Ostherne de Alencar. O Palmeiral, que é junto ao canavial, por onde passa o leito do Rio Grangeiro.



Acima: Visão das proximidades do Palmeiral, mais conhecido como canavial, localizado na área norte do crato, próximo à Vilalta, é um terreno de brejo, atravessado pelo Rio Grangeiro. Nos períodos de enchentes, toda essa região fica alagada.

Conclusão:

Seria interessante que a administração do Crato não tomasse qualquer decisão sobre a retirada do parque de exposições do local atual sem antes ouvir a opinião pública. Afinal de contas, os políticos são eleitos para representar o desejo da maioria. E vemos nitidamente em Crato que a maioria é favorável a que o parque permaneça no local atual, até pelo processo histórico de como a cidade foi construída, e sabendo que somente entre 30 a 40% do local está em uso atualmente. Qualquer decisão equivocada, só irá arranhar a imagem do prefeito, cuja popularidade, mesmo há apenas 6 meses de gestão, já não é das melhores. Não convém tomar decisões apenas para satisfazer uma minoria e o desejo de alguns que se dispõe a vender terrenos para um futuro parque de exposições, contrário ao desejo da população, num local sem infraestrutura, e na contramão do progresso. E nisso, é interessante que a população fique atenta também às decisões do Governo do Estado, que já ofereceu verbas tanto para uma ampliação, como para uma mudança. Cabe aos Cratenses, o destino da EXPOCRATO.

Fontes:

** Jornal Diário do Nordeste - Edição de 16 de julho de 2011- Reportagem: Antonio Vicelmo. e Jornalista Wilson Rodrigues - Assessor de Imprensa da PMC ( Edição de 13 de Julho de 2011 ). 
- Com informações da Assessoria de Imprensa da PMC.
Fontes adicionais: Grupo Filhos e Amigos do Crato no Facebook - www.filhoseamigosdocrato.com 

Reportagem e fotos do Palmeiral: Dihelson Mendonça

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