05 julho 2013

As ilegitimidades - Por: Emerson Monteiro


Qual agora, quando pessoas, de faces encobertas, saem às ruas e quebram lojas, incendeiam veículos e depredam prédios logo o Grande Irmão repercute na mídia, sua voz, que vândalos destroem o patrimônio particular e público, numas ações coletivas repudiáveis aos comezinhos exames, riqueza eliminada sem produzir benefícios. Verdade nua e crua. Porém detrás de qualquer prática há motivos. O motivo das tamanhas agressões da massa enfurecida são as ilegitimidades, no outro lado da mesa, do próprio poder, ocasião das práticas ilícitas de governantes em atos deslumbrados e insanos, proprietários desautorizados dos destinos em crise lá embaixo.

Adianta pouco perguntar as causas dos distúrbios sem fazer a autocrítica do sistema que domina empavonado. Reações significam ações de resposta no sentido contrário, lei reconhecida há séculos.

Nada permanecerá impune, ou fora das recompensas merecedoras. No entanto se chega a imaginar que ainda existam políticos que contem vantagens da impunidade dos seus feitos nocivos guardados debaixo das sete capas da ilusão, mera ilusão. Leis superiores persistirão para sempre e julgarão os culpados das mínimas contrariedades, ao momento certo. Ignorância galopante avaliar doutro jeito a história dos homens na ordem natural das coisas.

E nisso é que ocorrem as movimentações que ora deixam a gente de queixo caído, melancólicos, aguardando tempos outros, resultado das voltas das esferas no sentido da normalidade. Talvez as tantas luas que vão e vêm deixem rastros nos céus que quase ninguém quer conhecer, nas aulas deste chão.

Ao erguer o braço e destruir honrados e belos patrimônios a si mesmo pertencentes, o povo responda a efeitos brutais lá de dentro dos secretos paraísos, ele, de quem abafaram as vozes e não deixaram encontrar alternativa de expressar doutro modo as dores que lhe oprimem o peito. Enquanto que sicranos e beltranos refestelam vaidades nas ilhas de sonhos que nutriram nas urnas dos antigamentes, crianças padecem fome; mães e filhos morrem à míngua nos hospitais públicos desaparelhados; estudantes pouco adquirem dos instrumentos essenciais de sobreviver na selva das gerações esquecidas; trabalhadores sofrem as dores de cargas tributárias infames; os rios, matas e mares apodrecem na ausência de critério de exploração da civilização industrial. O desconforto das injustiças viverá sujeito a explosões a toda hora. Pois violência gera violência, perante determinações universais maiores até do que todos nós.  

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