26 abril 2013

Geografia dos Tolos. Dois Anos Depois. Por: Antonio Sávio.



Há exato dois anos, escrevo para o blog do Crato o texto “Geografia dos Tolos e Histórias Para Boi Dormir” fazendo uma denúncia sobre o estado lamentável que anda estas duas visões no Brasil. Escrevo “visões” deliberadamente, pois, aqui, nem geografia e nem história são tratadas como ciências, como em outras partes do mundo seriam.

A falta de uma estrutura educacional séria, bem como de um senso de iniciativa intelectual, a formação da universidade brasileira nunca teve por si um senso de realidade e de independência. Desde os anos sessenta com o surgimento da USP, o país passa a importar as teorias europeias de última moda de forma irrefletida, e, portanto, irresponsável. Todo o lixo teórico que é resultado do que alguns estudiosos mais sérios chamam de “O Declínio da cultura Ocidental” onde, a partir da modernidade, os absurdos filosóficos e teóricos se espalharam tomando ar de filosofias.

O que é importante observar é que, por mais que tais teorias se disseminassem paulatinamente em todo o Ocidente, ainda era predominante o número de estudiosos saudáveis, que preservaram a boa filosofia e submetiam os erros filosóficos a constrangimentos severos, dando assim a possibilidade de discernimento a gerações mais novas. Há nesse contexto, um grande legado cultural produzido, para quem quisesse se debruçar sobre o mesmo e observar o senso de realidade que tinham os pensadores antigos, e a falta dentre os confrades modernos.

A geografia como ciência surge como fruto da modernidade, e, assim, nasce em um contexto cultural e filosófico já fortemente corrompido. No Brasil, a ciência geográfica desenvolve-se sob a mesma batuta que os demais cursos de ciências humanas. Adquirindo para seu bojo conceitual tudo que fosse produzido na Europa, desde que tivesse um caráter moderno e materialista. De pronto, rapidamente a geografia brasileira vê na figura do geógrafo Milton Santos seu represente intelectual mais apto. Sua ciência que é uma mescla de análise regional por moldes marxistas e pseudo-existencialista influencia até hoje as mentes mais “brilhantes” da geografia brasileira, que, por sinal, diz amém a tudo sem conferir o que quer que seja in loco.

Seguindo a receita “miltoniana”, que a essa altura não é mais um só, tendo em vista que esta visão proliferou-se ao extremo, toda a análise de uma ciência chamada geografia passa pelo crivo marxista, neo-marxista, existencialista, estruturalista, pós-estruturalista. A ideia é estar afinado com a produção pseudo-filosófica européia e anglo-saxônica para dizer-se intelectualizado. A geografia urbana, agrária, regional, epistemologia geográfica, ou seja o que for, terá que, em sua pluralidade de “o samba de uma nota só”, dizer a mesma coisa, ou melhor, proferir a mesma nota com instrumentos diferentes para aparentar uma riqueza de pontos de vista.

Os maiores intelectuais que surgiram no século XX como Eric Voegelin, Mário Ferreira dos Santos, Russel Kirk, Von Mises, Hayek, Rothbard, Kristol, Peyrefitte entre uma infinidade de outros são até hoje completos desconhecidos dos geógrafos brasileiros que, dizem-se, estarem entre os maiores do mundo. O único documento que fez uma notável denúncia sobre isso parcialmente foi à tese de mestrado do prof. Luis Lopes Diniz Filho, hoje professor da UFPR onde mantém o blog Geografia Brasileira em Debate, que faz um trabalho de conta gotas, fazendo uma denúncia teórica pesada através de um blog pouco visitado. Ora, por que esse debate não ganha a publicação de livros? Pelo simples fato de que todo os sistema editorial brasileiro estar inserido, assim como a imprensa, as políticas culturais, etc., na chamada Revolução cultural gramsciana. Publicar material que não seja de esquerda não está nos planos para editoras que são... Tão somente de esquerda.

Se alguma pessoa achar este país obteve qualquer desenvolvimento intelectual nos últimos anos, seja em qual for o âmbito científico, só pode ser um desavisado ou ter interesses nessa pantomima. As análises dos maiores geógrafos brasileiros podem ser refutadas por qualquer estudante que se preste ao trabalho de ler seus conceitos e obter dados dos Institutos de Pesquisa Econômica de cada Estado brasileiro que desmentem de pronto tais conceitos. A ideia de que o capitalismo ou a globalização está destruindo ou levando o país aos índices de desigualdade social, como é defendido por Milton Santos, ao mesmo tempo em que o papa da geografia brasileira nunca mencionou a violência territorial que foram submetidos milhares de pessoas pelo socialismo na Europa mostra não só o descuido como pesquisador, mas a falta de caráter do próprio em defender ideologias ignorando a realidade.

As obras A urbanização desigual. Petrópolis: Vozes, 1980; A cidade nos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira S.A., 1965.; Pobreza urbana. São Paulo/Recife: Hucitec/UFPE/CNPV, 1978.; Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 1982 e Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal. São Paulo: Editora Record, 2000, entre tantas outras que são até hoje aclamadas como a supremacia intelectual da geografia, só podem fazer sucesso em um ambiente de estreiteza intelectual aguda, pois, para quem é minimamente instruído sabe que a Escola de Economia Austríaca fez das teorias socialistas uma vergonha filosófica e econômica, que uma pessoa prudente não passaria por esse constrangimento desnecessário.

Por incrível que pareça, as verbas milionárias que financiam a USP, UNICAMP e diversos supostos “centros científicos” não foram capazes de descobrir o que eu consegui apenas com um computador, cruzando informações geográficas e econômicas. Enquanto isso se perpetua pela eternidade uma geografia manca em todas as universidades brasileiras, que não foi capaz em sua maior parte de produzir uma só obra que tenha referência na realidade ao invés de uma visão ideológica mistificada de ciência. Ora, mas em um país que até hoje não sabe a diferença entre ideologia, ciência e filosofia, que haveríamos de esperar? 

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