05 abril 2013

Escola e realidade - Por: Emerson Monteiro


Face de algumas situações verificadas na atualidade, cabe reavaliar a prática pedagógica dos estabelecimentos públicos e privados de ensino, pelo exemplo de uma mãe pobre brasileira, que, vivendo as severas imposições da desigualdade social, tem que trabalhar fora de casa para manter a família e matricular os filhos numa escola de periferia. Ao chegar receber a bolsa-escola, depara-se com a dura contradição de saber que perdeu o benefício porque os filhos não compareciam às aulas, frustando-lhe a certeza da pensão escolar prevista no dinheiro mensal.

Em outro momento, alunos de escola particular, em sucessivas ocasiões, desobedecem aos coordenadores de disciplina, por ignorar regras mínimas da educação doméstica. Os pais, profissionais liberais universitários, autênticos representantes da classe média, passam mais tempo no trabalho externo do que em casa, para onde já voltam exaustos, desfalecidos, depois do expediente tirano e fatigante. De feições abatidas no jogo da competição em que redundaram os projetos pessoais de sucesso, querem lazer a qualquer custo, olhos afeitos à tevê por assinatura, revistas, livros, ou sedentos de bebidas quentes, passeios e churrascos de final de semana.

Os filhos de ambos, adrenalina a mil, pouco ligados ao drama universal cotidiano, turno inverso, saem à cata de emoções fortes pelas pistas da cidade. Vivessem na época dos nativos selvagens, jogar-se-ia selva adentro, escola aberta de tempo integral. Hoje, no entanto, defrontam as carências da sociedade, era complexa de passividade e divisão fragmentária do trabalho.

Por isso, aos pobres os punhos agressivos da cara desigual e pontiaguda de bodegas, bares, ruas barulhentas, lixões, jogatina, pornografia, solidão, passadores de droga, ou encontros fortuitos e arriscados com outros jovens do mesmo teatro olímpico dramático.

No patamar dos aquinhoados, a seu turno, facilidades do vício e seus aspectos multiformes, junto das máquinas ligeiras, passeios e sexo livre ausente de orientação, porquanto a escola resultou nessa corrida espermática do funil-vestibular a qualquer preço. Sabe-se lá depois o que traz a douta civilização dos antropoides
 delirantes.

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