29 março 2013

Politeísmo galopante - Por: Emerson Monteiro


Olho gordo da fé de muitos peregrinos, essa mania de querer abraçar o mundo com as pernas, buscar tudo de tudo, jeito de quem não tem objetivo certo e agarra o que vê pela frente, avança no semestral de comer num dia a ração do mês inteiro. Isso de olhar de longe e já gritar que é dono. O impacto dos capitalistas agressivos de registrar as riquezas do subsolo sem nem conhecer onde fica aquele chão de todos.

Nos tempos dagora, há tais instintos avassaladores parecidos os mesmos antigos bárbaros da Grécia e de Roma, que adoravam dezenas de figuras imaginárias a título de garantia das benesses dos deuses amigos seus. Cada fenômeno da natureza correspondia a um deus particular. Havia como que ausência absoluta de integração das variáveis feições do grande todo universal, aceitos adiante, na civilização posterior, sob o aspecto do monoteísmo, fator de aprimoramento das visões espirituais dispersas em quantos fragmentos espalhados pelos templos.

Mas os séculos transcorreram céleres. Novos costumes e novas tradições viraram moda. Interpretações da filosofia impuseram atitudes ao pensamento difuso e criaram a concentração das forças vivas num só desejo de Verdade.

No entanto mudaram de novo e quase esqueceram o sentido das experiências do passado. Voltaram a repartir as definições da visão de mundo, e os deuses regressaram mais fortes ao panteão da vez atual.
Resultado: aonde se vira, um deus sacode sua bandeira de variadas cores. Os adoradores de Baco, deus do vinho, farreiam pelas calçadas de bacanais eletrônicas ensurdecedoras. Ali, os seguidores de Cupido gastam horas desfrutando os prazeres das noites improvisadas  dos reality shows nas telas de televisão. Marte sacode paredes e destroem lares de reinos conquistados no Oriente, expulsando populações inteiras aos acampamentos do deserto. Filhos de Hefesto seguem alucinados a produzir armamentos forjados em vil metal, alimentando os apóstolos de Tanatos, deus da morte e suas legiões implacáveis.

Era de tonalidades diversas, pois, classifica essa humanidade no rol dos impérios de Caos, o deus de destruição e desavenças. Poucos representam a sinceridade dos mergulhos de Juno, a deusa de duas faces, que esqueceu na eternidade de procurar a unidade do Deus único da perfeição.

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