29 março 2013

Passear no passado - Por Xico Bizerra


Bom é passear no Crato. Andar a pé, passar em frente ao Tênis Clube, ao Hospital que me viu desembuchar, descer até a Praça da Sé, sentar um pouco perto da fonte e contemplar o tempo, companheiro fiel da Igreja onde, eu menino, Padre Rubens rezava missa. Felicidade chega ali, se aboleta no primeiro banco e tome tempo pra ir embora! Ainda bem que, nesse caso, a felicidade é preguiçosa. Antes de seguir viagem rumo ao centro, agradecer à Senhora da Penha pelo vento gostoso e pela sorte de ali ter nascido. Na Siqueira Campos, devagar, sem qualquer pressa, tomar um cafezinho quente e lembrar do Cine Cassino, dos bang-bangs de antigamente, da tabuleta caprichosamente feita por Amarílio anunciando o filme do dia. Maldito ‘progresso’ dos dias de hoje; malditos os que derrubaram o prédio da esquina para construir um não-se-sei-o-quê. Na entrada da cidade, procuro ver a casa que era do meu avô e onde eu passava as férias. Não mais a vejo. O ‘progresso’, faminto e ganancioso, comeu a casa do meu avô e vomitou mentiras para justificar o atentado. Palavras que ainda hoje escorrem, a céu aberto, no esgoto da hipocrisia.


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