08 março 2013

O Crato pode estar comprando uma catástrofe com graves consequencias


As cidades, com o desenvolvimento demográfico, e os conflitos de interesses políticos e da especulação imobiliária, findam por sofrer impactos ambientais, em conseqüência da omissão por parte dos gestores públicos, que não criam leis que regulamentam o uso e a ocupação do solo, na ambição de aumentar a arrecadação de impostos, sem preocupação com as conseqüências do processo de impermeabilização, que é um dos grandes causadores das cheias. Foi com este pensamento que o engenheiro agrônomo, Joaquim Valdevino de Brito, funcionário da Escola Agrotecnica Federal do Crato, publicou um artigo denunciando a total negligencia às Leis de Uso e Ocupação do Solo Urbano e ao Código Ambiental, no município cratense que não é diferente das demais cidades que se desenvolvem em áreas ribeirinhas e rodeadas de morros. Quanto ao Crato, Joaquim Valdevino explica que, é possível a cidade está comprando por um preço alto, uma futura catástrofe com conseqüências maiores do que a que ocorreu em janeiro de 2011.

 o quadro de impermeabilização do solo é crescente e preocupante com o desenvolvimento desordenado do município. Tendo como referencia os Bairros do Lameiro e Grangeiro, localizados no Sopé da Chapada do Araripe, o engenheiro constatou ocorrências absurdas onde os lotes para edificações residenciais estão sendo reduzidos nas suas dimensões. Por falta de fiscalização essa desobediência as normas ambientais vem aumentando assustadoramente. Residências que deveriam ter 55 % de área permeável estão impermeabilizando quase a área total das parcelas do lote e isto, segundo ele, provoca um efeito muito rápido na velocidade das águas em direção a calha do rio grangeiro, resultando em cheias devastadoras. Joaquim Valdevino de Brito teve seu artigo aprovado no Congresso Nacional de Educação Ambiental realizado em 2011 na Paraíba e chegou ao conhecimento do governo central. Ele conta que as autoridades municipais do Crato e do Estado estão conscientes da situação de perigo que o município se encontra devido a estas irregularidades que nada mais são do que a compra de uma futura catástrofe na parte baixa da cidade. Na opinião do engenheiro, ainda é tempo de correção com a implantação de um trabalho ambientalmente correto a partir do aumento das áreas verdes nos locais de construção das edificações, atentando para a fiscalização na obediência as leis, não só nos Bairros Grangeiro e Lameiro e sim, em todo o município a exemplo dos rios Batateira e Saco Lobo que já demonstram sinais de preocupação. Conforme Joaquim Valdevino a questão só poderá ser resolvida com a participação dos governos municipal, estadual, federal e a população, num trabalho conjunto. Ele acredita que se for trabalhado o amortecimento da velocidade das águas que descem das partes altas da cidade para o centro urbano, já é meio caminho andado.

Para o ex secretário de meio ambiente e controle urbano do Crato, Nivaldo Soares Almeida, atualmente secretário executivo do Geopark Araripe, a posição geográfica do Crato diferencia o município dos demais no tocante as questões ambientais. Conforme explicou, em reuniões com o governo do Estado já foram sugeridas medidas providenciais e urgentes. Para Nivaldo a impermeabilização na construção de uma edificação predial começa com a retirada da cobertura vegetal que é substituída pela cimentação, calçamentos e asfalto nas ruas, desencadeando enorme perda de infiltração das águas rumo ao lençol freático, particularmente, prejudicando sensivelmente a recarga do aqüífero médio.

Por: Wilson Rodrigues
Radialista/Repórter
Membro do Blog do Crato e Portal de Notícias Chapada do Araripe


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