29 março 2013

Marco zero - Por: Emerson Monteiro


Cedo da manhã, ligo a televisão e ouço que a Coreia do Norte segue nas ameaças de guerra aos Estados Unidos, com ogivas nucleares a isso preparadas, e a sensação é de que nada mudou durante toda história da Humanidade. Somos de geração cevada na Guerra Fria, fase depois da Segunda Grande Guerra, quando russos e americanos trocavam hostilidades a fim de dominar os mercados mundiais largados abertos com a derrota alemã e japonesa no conflito perverso.

Vieram divisões das fronteiras do mundo, Cortina de Ferro, Muro de Berlim, Paralelo 17, escambau a quatro, tropas de dois lados armadas até os dentes, comércio internacional de armas, corrida armamentista, corrida espacial, queda de braços das famigeradas potências atômicas, e as formigas humanas, impotentes, inúteis, observando essa competição dos poderosos, enquanto embalam as carnes pelas naves da tecnologia que endeusam, alvos fáceis nas estradas e ruas. Trancadas em cavernas eletrônicas hermeticamente vigiadas, de olhos fixos nas máquinas luminosas da ilusão, só parecem aguardar as senhas dos telefones vermelhos da sobrevivência dos dias apáticos, indiferentes, embriagadores.

Tempos medrosos de homens frios. De máquinas geniais que passeiam os pensamentos atirados à prisão das massas indefesas.

Na contrapartida da história vã, porém, restam os labirintos de Si Mesmo qual derradeira estação transformadora, vinda em consequência das inúmeras decepções, nas filosofias, psicologias e religiões enfileiradas nos sonhos individuais. O aprimoramento das esperanças foge até dos limites da imaginação quando, pois, expande apenas o egoísmo dos líderes interessados apenas no destino dos povos que comandam. Resolvem seus problemas particulares em detrimento da grande população de um Planeta em chamas. Consomem os recursos naturais a favor de grupos isolados, na condição de gerentes dos bichos selvagens em grupos isolados no falso conforto.

Houvesse mínimo senso de prudência e sabedoria na vontade das ações e perspectivas de união e desenvolvimento acalentariam os corações aflitos. Contudo farpas lançadas demonstram a distância da sensatez que ainda resta percorrer a fim de salvar uma raça faminta de paz e bons sentimentos.

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