27 março 2013

Ex-vereadora do Crato acha que ser mulher no Cariri é correr risco de vida


O Conselho Municipal de Defesa da Mulher do Crato promoveu no salão de atos da Universidade Regional do Cariri, na ultima quinta feira dia 21, um seminário para discutir questões que afligem as mulheres de todo o Cariri, ou seja, o fortalecimento das políticas publicas como a efetivação da Lei Maria da Penha que não tem sido aplicada rigorosamente por falta de equipamentos como um Centro de Referencia, Casa Abrigo, Programas de Habitação, Geração de Trabalho e Renda, capacitação de profissionais e outros benefícios da rede de atendimento as vitimas da violência e que dependem dos poderes públicos constituídos, disse a ex vereadora e uma das coordenadoras do Fórum Regional de Mulheres do Cariri. Explicou que há 20 anos o conselho luta por estas melhorias e só dez anos depois viu a chegar a Delegacia Especializada que ainda não funciona como deveria, fechando as portas na sexta feira e só reabrindo na segunda feira, ficando a mulher nos finais de semana em situação vulnerável. Mara Guedes disse que as estatísticas da violência contra a mulher são cada vez mais estarrecedoras. Nos últimos onze anos foram 218 mulheres assassinadas no Cariri. No ano passado, só no município do Crato, a Delegacia da Mulher registrou 1.283 ocorrências, sendo 300 delas, agressões físicas. No Cariri a grande maioria dos acusados de surrarem as mulheres ou mesmo assassiná-las, não foi presa e nem julgada, disse Mara Guedes.

Mara Guedes disse ainda que ser mulher no Cariri é correr risco de vida. Como militante do movimento feminista na região foi ameaçada de morte, principalmente na época do escritório do crime que chegava a assassinar mulheres em série e confessa que nunca se intimidou. O movimento em defesa da mulher enfrentado por ela e suas companheiras tem apresentado resultados positivos, embora não se tenha indicadores da diminuição da violência, mas tem estatística de que as mulheres estão denunciando mais. Para Francisca Alves da Silva, educadora social e conselheira municipal, poucos socorrem a mulher quando ela é violentada e conta a historia do mais recente estupro ocorrido no Crato na noite da ultima quarta feira quando a vitima foi procurar socorro policial e as duas delegacias estavam fechadas. Francisca lamenta a falta de medidas protetivas no Crato e disse que a Lei Maria da Penha não existe no município. A conselheira explicou também que a sociedade deve ser informada que a violência contra a mulher não está apenas nas periferias, ela é uma realidade em todos os setores sociais e geralmente só quem procura o conselho é a mulher pobre que não têm como se deslocar na calada da noite até Juazeiro do Norte para denunciar o agressor.

A ex secretária de justiça do Ceará e defensora publica estadual, Sandra Dond Ferreira em sua palestra no seminário abordou a questão dos direitos e deveres da mulher presidiária. Ela disse que, indiscutivelmente, o Cariri apresenta um dos maiores índices da violência contra a mulher cearense. Entende que esse quadro só poderá mudar com a conscientização do homem no sentido de que ele não pode tratá-la como escrava ou um ser sem valor. Ela atribui esse tipo de violência a cultura machista que ainda impera no País. No final do evento foi feita uma carta aberta e entregue a comissão dos direitos humanos da Assembléia Legislativa do Ceará que esteve reunida na URCA na ultima sexta feira.

Por: Wilson Rodrigues
Radialista/Repórter
Membro do Blog do Crato e Portal de Notícias Chapada do Araripe
Foto: Arquivo: Dihelson Mendonça



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