27 março 2013

Cai produção de frutas no Cariri


O Cariri tem o segundo menor pólo de produção de frutas irrigadas do Ceará, envolvendo seis mil hectares em apenas oito municípios para o cultivo de bananas, abacaxi, goiaba, manga e uva, alem de hortaliças e flores. É muito pouco para uma região com um potencial hídrico grandioso e com todas as características climáticas favoráveis, disse o técnico agrícola Vicente Lucio da secretaria municipal de agricultura do Crato que, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas IBGE e Sindicato dos Trabalhadores Rurais, realizou pesquisa e constatou que a produção de frutas na região, incluindo a de sequeiro, caiu 25,76 % entre 2011 e 2012 por falta de chuvas regulares e incentivo tecnológico. A ausência de políticas publicas, projetos governamentais e empreendedorismo é também fator preponderante na diminuição da produção que vem ocorrendo paulatinamente a cada safra sendo que, nos períodos de estiagem prolongada, como os que aconteceram nos últimos dois anos, a queda da produção foi bem mais acentuada, disse Vicente Lucio. Para ele tem que haver uma mobilização envolvendo produtores, governos e entidades parceiras no sentido de fortalecer o segmento frutífero do Cariri quanto à questão de melhorias da produção e de mercado.

De acordo com as estatísticas mostradas pelo IBGE, secretaria municipal de agricultura do Crato e Sindicato dos Trabalhadores Rurais a maior perda foi da manga que registrou queda de 735 toneladas em 2012 em relação a 2011, ou seja, 53,8 %, seguido do caju 46 %, laranja 30 %, mamão 29,3 %, seriguela 24,47 %, pinhas 22 %, abacate 12,3 % e acerola 18 %. O produtor de bananas no Sitio Baixio das Palmeiras, município do Crato, Aloísio Gomes Sobrinho lamenta o fato de o Cariri ter solo, clima e água em condições de gerenciar uma produção suficiente para garantir o abastecimento dos 32 municípios da região e que, por falta de orientação técnica e projetos, a região ocupa as ultimas colocações em relação às demais localidades do Ceará. Já Assis Limeira Alves, que iniciou plantio de acerola na mesma localidade, reclama dos preços de mercado que, segundo ele, não compensa, principalmente para o pequeno produtor. Os produtores em geral do Cariri são unanimes em afirmar que falta mais habilidade dos poderes públicos e dos órgãos gerenciadores no sentido de aquecer a produção. Explicam que se não houver um projeto regional capaz de redimensionar toda a cadeia produtiva, o consumo de frutas e hortaliças pelo caririense continuará dependendo da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e até de Minas Gerais.

Apesar das dificuldades, o Cariri ainda é destaque na produção de seriguela. A região colhe anualmente 900 toneladas que são exportadas para Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. O engenheiro agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural EMATERCE, José Ladislau de Sousa, disse que a produção de frutas na região caririense é insuficiente para atender o consumo regional e aponta, alem da seriguela, a banana irrigada. O Crato tem 60 hectares produzindo 720 toneladas/ano e também cinco hectares de goiaba com produção de 150 toneladas a cada safra e coco verde oito hectares.  Para Ladislau a região tem potencial para produzir o triplo dessa capacidade basta redimensionar a cadeia de valor entre produtores, governos e órgãos públicos.

Por: Wilson Rodrigues
Radialista/Repórter
Membro do Blog do Crato e Portal de Notícias Chapada do Araripe


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