16 fevereiro 2013

Municípios do Cariri já registram a pior sêca das últimas quatro décadas - Wilson Rodrigues


Os produtores rurais do Cariri estão enfrentando uma das piores estiagens dos últimos 40 anos, tendo como referencia a mortandade de animais que, este ano já é bem mais superior a seca de 1970, período em que os criadores perderam metade de seus rebanhos por falta de água e pastagens. Entre 2011 e 2012 os prejuízos no campo são incalculáveis e para 2013 não há boas perspectivas. O credito bancário é a única alternativa para investimento na zona rural com a construção de açudes, barragens, criação de animais e cercas de arame, porem não tem resolvido o problema devido a burocracia para se ter acesso aos recursos. Para o presidente do Sindicato Rural, Antonio Alves da Gama as linhas de créditos estão longe do alcance do produtor e explicou dizendo “o banco só quer liberar o dinheiro depois da obra pronta. Como o trabalhador vai aprontar a obra se ele não tem recursos? O resultado é o dinheiro ficar guardado nos cofres dos bancos, os projetos encalhados e o trabalhador passando fome”, disse o presidente. Conta ainda que está realizando um levantamento de toda a situação, vai fazer um relatório e levá-lo a uma audiência com a diretoria do Banco do Nordeste onde tramita a maioria dos projetos, alguns já com oito meses de tramitação e outros que foi liberada apenas uma parcela, finalizou Antonio Alves da Gama.

Na ultima quarta feira os produtores rurais estiveram reunidos na sede do Sindicato da categoria na tentativa de encontrar uma saída. O produtor Agostinho Vieira conta que tem um projeto tramitando desde o mês de junho de 2012 no Banco do Nordeste e já pensa em desistir do empréstimo. Antonio da Hora é produtor rural na localidade da Baixa do Maracujá. Montou um projeto com recursos próprios para a criação de pequenos animais na esperança de tão logo os recursos bancários fossem liberados, como isto não aconteceu, agora está recebendo cobranças das empresas que lhe venderam o material e teme que seu nome seja inserido na lista dos inadimplentes junto aos órgãos de defesa do consumidor. Outra questão levantada pelo produtor é em relação a defasagem dos valores orçados no orçamento do projeto. A duvida é saber se quando houver a liberação, esses números serão corrigidos em percentuais equivalentes e assim poder honrar os compromissos assumidos.

O gerente geral da agencia Crato do Banco do Nordeste, Albery Viana explicou que toda instituição financeira é rigorosa e obedece a normas do Banco Central. No Crato o atendimento chega a 200 pessoas/dia, a multidão a procura de créditos é tão grande que chega até ser incompatível com a tecnologia. Mesmo assim não tem nenhum produtor rural com projetos caducando no banco. A principal dificuldade é a questão da documentação exigida e que nem todos estão dentro do perfil e quando isto acontece, disse ele, o banco espera a regulamentação do requerente. Albery explicou ainda que não existem projetos financiados 100 % com recursos próprios do produtor para, posteriormente, o dinheiro ser creditado. Independentemente da natureza do projeto o financiamento se dar parceladamente mediante a prestação de conta das parcelas anteriormente liberadas. Este procedimento é natural em qualquer operação de credito, finalizou Albery Viana.

Por: Wilson Rodrigues
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