11 janeiro 2013

Manifesto com que, ainda em território nacional, se despediu dos brasileiros o Conde d’Eu


"Aos brasileiros — A todos os amigos que nesta terra me favoreceram com sua sincera e por mim tão apreciada afeição, aos companheiros que, há longos anos já, partilharam comigo as agruras da vida de campanha, prestando-me inestimável auxílio em prol da honra e segurança da Pátria Brasileira, a todos que, na vida militar ou na civil, até há pouco se dignaram comigo colaborar, a todos aqueles a quem em quase todas as províncias do Brasil, devo finezas sem número e generosa hospitalidade, e a todos os brasileiros, em geral, um saudosíssimo adeus e a mais cordial gratidão.

   Não guardo rancor a ninguém; e não me acusa a consciência de ter cientemente a ninguém feito mal. Sempre procurei servir lealmente ao Brasil na medida de minhas forças.
   Desculpo as acusações menos justas e juízos infundados, de que por vezes fui alvo.

   A todos ofereço minha boa vontade, em qualquer ponto a que o destino me leve. Com a mais profunda saudade e intenso pesar afasto-me deste país, ao qual devi, no lar doméstico ou nos trabalhos públicos, tantos dias felizes e momentos de imorredoura lembrança. Nestes sentimentos acompanham-me minha muito amada esposa e nossos tenros filhinhos que debulhados em lágrimas conosco empreendem hoje a viagem do exílio.

   Praza a Deus que, mesmo de longe, ainda me seja dado ser em alguma cousa útil aos brasileiros e ao Brasil”

 Bordo da canhoneira "Parnahyba", no ancoradouro da ilha Grande, em 17 de novembro de 1889 — Gastão de Orléans."

(Postado por Armando Rafael)

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