20 janeiro 2013

Chega de tanto esperar: Reabilitação do Padre Cícero já!


Neste domingo, como acontece desde 1934, acada dia 20, aIgreja Católica Apostólica Romana celebra missa em sufrágio da alma do Padre Cícero. Ela reverencia o padre que ela mesma expulsou do seu quadro, há mais de 100 anos, sob o pretexto de desobediência e heresia. E isto constitui verdadeiro paradoxo, pois ele é o padre que lota as igrejas de fiéis e enche os cofres delas de dinheiro. Um bispo rancoroso suspendeu as ordens do Padre Cícero e isto foi depois confirmado pelo Vaticano, tudo motivado pela crença dele num fato acontecido pela primeira vez em 1º de março de 1889, no então povoado de Juazeiro  e que passou à história com o nome de milagres de Juazeiro. O fato consistiu na transformação da hóstia consagrada em sangue, na boca da beata Maria de Araújo, afora outras manifestações igualmente estranhas, e que desde então divide o clero brasileiro, com muitos padres e bispos acreditando tratar-se de milagre eucarístico e outros, acreditando tratar-se de embuste. Mesmo suspenso das ordens oficialmente desde 1894,  ele aceitou resignadamente todas as punições que lhe foram impostas, suportou pesado calvário, mas nunca  deixou de amar a sua Igreja, assistir às missas regularmente e propagar a religião católica.  Depois de morto, sua memória continua atraindo fiéis à igreja e alimentando as romarias que deixam os cofres das igrejas repletos de dinheiro sob a forma de esmolas. E é justamente aí que reside um paradoxo para o qual a Igreja deveria dar uma explicação plausível. Ou seja, condenou Padre Cícero, mas aceita o dinheiro que vem por interveniência dele. Se ele foi banido da Igreja oficialmente, por que então não deixá-lo no ostracismo? Por que homenageá-lo, aprovar suas romarias, ovacionar seu nome nos sermões, cantar hinos em sua honra se ele foi suspenso de ordens? Agindo assim, a Igreja dá uma demonstração de que de fato ele já está reabilitado. Então, por que não oficializar uma situação que de fato já existe? É pedir muito? Agora, aceitá-lo como padre útil à Igreja somente para atrair fiéis e dinheiro, é inconcebível estando ele oficialmente irregular, como de fato está. Um processo pedindo a sua reabilitação está em Roma há quase sete anos, porém até agora entravado no manto sagrado da burocracia do Vaticano que desde então só tem dado como resposta o silêncio. Por um dever de justiça, é preciso louvar a iniciativa do bispo Dom Fernando Panico que foi a Roma, acompanhado de grande comitiva de juazeirenses, para entregar pessoalmente e oficialmente ao Papa, o pedido de revogação da pena de suspensão, a qual trará como conseqüência a reabilitação do Padre Cícero. Para subsidiar o pedido, o bispo nomeou uma competente equipe composta por padres, psicólogos, teólogos, historiadores, gente do mais alto gabarito, a qual, depois de exaustivo estudo produziu um substancioso relatório entregue junto com o pedido, tudo feito conforme  solicitação do  Vaticano. Mas até agora nada de positivo aconteceu. Enquanto isto, outros processos mais complicados, pois pedem beatificação e canonização, correm mais acelerados, contrariando a resposta dada pelos padres de que “as coisas de Roma são devagar”. Na verdade, pelo visto, devagar mesmo, só a causa do Padre Cícero, pois os processos das jovens Benigna (de Santana do Cariri) e de Odetinha (do Rio de Janeiro), para citar somente estes que são recentes, estão bastante avançados. Então, já está na hora de Juazeiro do Norte protestar.  E este jornal abre o bico:
 
Chega de tanto esperar.
QUEREMOS A REABILITAÇÃO DO PADRE CICERO JÁ!

Nesta oportunidade transcrevemos abaixo um texto pertinente ao assunto que nos foi enviado por e-mail por um dos nossos colaboradores. O artigo está no www.cadaminuto.com.brna seção Blog do Bob, site de Maceió, escrito por Roberto Villanova.  Ele começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Ele deu o grito em Maceió. Vamosfazer o mesmo. Eis o texto:
 
Por que até o Papa tem medo do padre Cícero?
 
O cardeal Joseph Ratzinger conduziu durante dez anos o processo para beatificação e posterior canonização do padre cearense Cícero Romão Batista. Não há, no Vaticano, quem conheça melhor a vida e os “milagres” do padre Cícero; o cardeal Ratzinger é o maior especialista sobre o padre Cícero, dentro da Igreja Católica. O cardeal Joseph Ratzinger virou o papa Bento 16 e esperava-se que ele desse sequência ao processo que conduziu na condição de cardeal, mas qual o quê?!
 
O processo empacou no Vaticano. Para entender a peleja do Vaticano com o padre Cícero cabe lembrar que a Santa Sé temia que a liderança religiosa do padre cearense levasse à criação de uma Igreja Católica, Apostólica e Brasileira. Sim, porque a que está aí é Romana. Na década de 1930, o Vaticano designou o reitor do Convento de Brindsi, o frei Pio Giannotti, para liderar a “Santa Missão” destinada a fortalecer o poder da Santa Sé na região mística do sertão nordestino. Nessa região, especialmente na região das “sete cidades” do sertão do Cariri, expandiu-se o fanatismo religioso que, ao contrário do que muitos pensam, não começou com o padre Cícero – antes dele, prevaleceu a pregação do “padre Ibiapina”, uma espécie de precursor do padre Cícero.
Ibiapina era um advogado em Recife que, por desilusão amorosa, renunciou a toga e vestiu uma batina. Começou a pregar e a criar as chamadas “Casas de Caridade”, o que assustou os padres franceses que administravam o Convento de Fortaleza. Pressionado pelo Vaticano, o “padre Ibiapina” capitulou. Mas, quando o Vaticano pensava que tinha resolvido o problema, deu-se o “milagre” da beata Maria da Luz – que fez surgir o padre Cícero como novo líder espiritual na região do Cariri.
 
Em 1931, o ex-reitor do Convento de Brindsi, Pio Giannotti, desembarcou no Brasil e mudou de nome. Passou a se chamar “frei Damião de Bozzano”. Soldado combatente na I Guerra Mundial, nada revelava na figura baixinha do frei Damião esse passado de guerreiro. E, no Brasil, ele se desincumbiu com sucesso da tarefa dada pelo Vaticano e, se não conseguiu eliminar totalmente o prestígio do padre Cícero, pelo menos conseguiu dividi-lo. E, por ironia, há quem o compare à reencarnação do padre Cícero – o que o frei Damião rechaçava com mau-humor, sob a alegação de que o padre Cícero desobedeceu ao papa.
 
Mas, gente, passado tantos anos e diante dessa oportunidade de ser o papa atual o responsável pelo processo de canonização do padre Cícero, não é estranho que a Igreja Católica Romana ainda tema o prestígio do padre cearense? Quem sabe esse temor se deve ao fato de o padre Cícero ser o único líder religioso no mundo que não foi peregrino? O padre Cícero nunca saiu do Joazeiro. As pessoas é que vão lá, ainda hoje, para reverenciá-lo.

Fonte:blog do Bob, publicado em 11/01/2013
www.cadaminuto.com.br 
Daniel Walker - Blog do juaonline


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