03 janeiro 2013

A Estável lei da Mudança - Por: Jorge Emicles Pinheiro


A crise mundial que eclodiu já alguns anos, mas que vem se aprofundando a cada dia que passa, somado à nova conscientização sobre a necessidade de mudança de padrões quanto às relações entre o homem e a natureza, possuem muito mais significado do que aparentam. Estes dois fatos simbolizam antes de tudo uma profunda mudança de paradigma quanto à forma com que o homem compreende o mundo.
Vem de Adam Smith, pai da economia de mercado, o sentido moderno do liberalismo, cujo pressuposto básico é o da liberdade do mercado, onde o Estado se envolve ao mínimo na regulamentação da economia. Modernamente, quando aportaram ao poder Ronald Reagan, nos Estados Unidos e Margaret Tacher, na Inglaterra (isto nos idos dos anos oitenta do século passado), tornaram-se os símbolos maiores da renovação dessas ideias. As origens da crise econômica e do aquecimento global podem ser correlacionados a estes dois marcos fundamentais. Em última análise, representam o fracasso dessas ideologias, que remontam ainda, olhando um pouco mais adiante na história, aos ideais da Revolução Francesa, dos iluministas e dos contratualistas, ideias que fundamentam toda a ciência e os paradigmas da sociedade humana modernos.
Por isso o estrago é muito maior do que aparenta. Se não forem modificadas a forma de o homem compreender o universo que povoa, com as necessárias interações entre as demais pessoas, todo esforço será absolutamente vão. A questão então vai muito mais além do que as discussões que se travam nas reuniões de cúpula das grandes nações, porque não se resumem simplesmente a intervenções técnicas capazes de reduzir a temperatura do planeta, nem a fórmulas de melhor regulamentar a economia, mas na verdade dizem respeito a reconstrução do próprio homem e das formas que interpreta o mundo.
Parece estranho, no mundo do domínio da ciência, falar-se em mudanças de visão as coisas, mas acontece que cada era da nossa história está relacionada a uma forma diferente de visão e de interação do homem com o mundo. Na antiguidade romana, por exemplo, nem todos os homens eram pessoas, sendo muitos deles simples coisas, como os objetos que usamos em nosso cotidiano. Na idade média, este mesmo homem era um mero acessória da terra que cultivava. Somente com o iluminismo é que se passou a elevar a noção do homem como centro do universo e da religião apartada das coisas do Estado. Agora é chegada a hora de nova mudança, porque o homem não pode mais ser considerado a razão e o centro da existência, mas um mero componente num sistema muito mais complexo, onde a natureza e a economia necessariamente deverão se subordinar a estes novos paradigmas. Assim, nem a liberdade de mercado, nem a condição superior do homem frente à existência podem ser considerados absolutos. A própria superioridade científica como detentora da verdade deve ser relativizada também.
A única coisa imutável em todas as eras da existência humana é a necessidade permanente de mudança, tal qual nos revelou ainda na antiguidade clássica o velho Heráclito. Eis o novo mundo que nos aguarda...
Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto

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