13 dezembro 2012

Violência contra as mulheres choca a sociedade caririense - Por: Wilson Rodrigues


A violência contra a mulher pode ser de diversas formas que não uma agressão sociopática de natureza sexual e perversa no sentido psicanalítico do termo, até formas mais sutis como assedio sexual, discriminação e desvalorização do trabalho domestico. Mas a violência intrafamiliar, que se manifesta por agressões físicas, psicológicas e sociais, é a que predomina na natureza machista dos agressores. Estes temas foram discutidos na VIII campanha “ 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”, realizada no Crato entre os dias 20 de novembro e 10 de dezembro com a participação de autoridades judiciárias, defensores públicos, advogados e representantes do conselho municipal de defesa da mulher. Os encontros e palestras aconteceram em vários locais distintos. Na Universidade Regional do Cariri ocorreu na ultima quinta feira um seminário em que foi abordado o tema “Desafios e as Perspectivas”. No sábado dia oito, no auditório da REFFSA, aconteceu a palestra da defensora publica, Monica Barroso, da coordenadoria de mulheres do Ceará, seguido do show do cantor e compositor, Tião Sampaio. Na segunda feira dia 10 o evento foi encerrado com um circulo de luz na Praça da Sé onde foram acesas 218 velas para lembrar as 218 mulheres assassinadas no Cariri nos últimos 10 anos.

O mapa da violência contra a mulher no Brasil, no Ceará e no Cariri esteve na mesa das discussões durante os 16 dias de ativismo. As estatísticas mostram que de 1980 a 2010 foram assassinadas mais de 90 mil mulheres no Brasil. A pesquisa revelou ainda que, a cada segundo uma mulher é espancada no País e a cada minuto uma é assassinada, disse a estudiosa no assunto, Francisca Alves, do conselho municipal de combate a violência contra a mulher no Crato. Ela conta que até o final de novembro de 2012 quatro mulheres foram assassinadas no município, no Cariri foram 18 assassinatos no mesmo período e nos últimos dez anos foram 218 uma media de 21 mulheres a cada ano, quase duas por mês. O machismo com 46 % e o alcoolismo com 31 % são apontados como principais fatores das agressões. Ainda segundo Francisca, tem crescido o numero de mulheres que procura o conselho se dizendo vitima de agressão. Este ano foram 144 casos, superando os anos de 2011, 2010 e 2009. “A dificuldade maior no combate a violência contra a mulher é a burocracia, a falta de estrutura de nossas policias, poder judiciário e ministério publico. Segundo a conselheira, o artigo 18 da Lei Maria da Penha manda o juiz decidir em 48 horas os pedidos das medidas protetivas de urgência e acabam indo parar no Tribunal de Justiça onde o resultado demora mais de 60 dias”, concluiu Francisco Alves.

Mas para a defensora publica do estado, Monica Barroso, a violência contra a mulher não tem aumentado. O que está evidente, segundo ela, é que as mulheres se sentiam desprotegidas antes da lei Maria da Penha e não denunciavam seus agressores e os casos não se tornavam públicos. Segundo Monica Barroso a violência que vemos hoje contra a mulher, sempre existiu. Para a bacharela em direito, Gerislandia Matias Grangeiro, ex diretora do centro de referencia da mulher de Juazeiro do Norte, os casos mais freqüentes de violência contra a mulher são a psicológica, a física, sexual e patrimonial, alem de moral e assedio sexual. Garante que as campanhas de combate as agressões vêm conseguindo estabilizar o quadro. “Precisamos melhorar a nossa rede de atendimento. Aqui no Juazeiro a estrutura que temos tem sido capaz de prestar os serviços necessários, porem ainda há muitas carências nesta área no município”, disse ela.

No final dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher os participantes  assinaram uma carta aberta reivindicando ao governo do estado melhorias na infraestrutura na rede de atendimento as vitimas no Crato, tais como, o pleno funcionamento da delegacia da mulher 24 horas, concurso para formação de delegadas, instalação de um centro de referencia no município, casa abrigo e agilidade no atendimento das medidas protetivas por parte da justiça.

Por: Wilson Rodrigues
Colaborador do Blog do Crato

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