03 outubro 2012

Consumo racional - Por: Emerson Monteiro


Na sociedade dos dias atuais se pratica uma corrida em busca da produção e do consumo por vezes descuidosa, haja vista o descaso quanto aos valores humanos elementares, como no exemplo da distribuição de alimentos.

Há mais de uma década têm estado presentes nos meios de comunicação, em publicações e programas diversos, as possibilidades da reciclagem de lixo. Já houve tentativas e modelos de iniciar esse tipo de ação, apontada como a grande solução para reduzir o volume de lixo produzido, com muito, pouco ou nenhum sucesso. Toda essa variação na eficiência de tais programas tem obrigado a uma consideração mais cuidadosa. 

Além de questões culturais complexas, todas as mídias e nossos anseios mais íntimos insistem em que essa ou aquela aparência, esse ou aquele produto, vão solucionar as questões de aceitação, auto-estima, realização pessoal e prazer entre outras. Bastante dinheiro é investido tanto na geração da necessidade, como na produção dos objetos necessários, e no seu consumo. Produzem-se aparentemente mais do que é consumido, a julgar pela quantidade de promoções, liquidações e práticas do gênero. Artifícios dos mais diversos conduzem toda sorte de consumidor a adquirir muitos objetos pelas mais variadas causas, dos mais diversos tipos, preços e tamanhos. Assim, também é consumido mais do que o que se pode utilizar, a julgar pela quantidade de desperdício. É dolorosa aqui a visão das conseqüências da diferença de poder aquisitivo.

Um exemplo dessa situação é a moda atual que pede enfeites natalinos cada vez mais complexos nas casas e nas ruas, enfeites cheios de detalhes, de pequenas bugigangas elétricas ou eletrônicas descartáveis; sem contar os obrigatórios presentes com uma enormidade de embalagens igualmente sofisticadas, embora o bom gosto ou a mais vaga noção de estética pareçam irrelevantes diante da moda. Os papéis de presente hoje não bastam, são substituídos por caixas, envelopes metalizados e sacolas, ganham arranjos de florzinhas e fitas, adesivos com dizeres referentes à data. O conteúdo é, por vezes, um elemento a mais no conjunto, geralmente quase tão descartável quanto esse complexo de embalagens. O significado muitas vezes nem é sabido, sobretudo pelas crianças. E não tem a menor importância.

O consumo de informações também tem sido como os outros tipos de consumo, uma prática compulsiva. Sua articulação e sua utilização para modular pontos de vista e tomadas de decisão são dificilmente percebidas na atuação dos superinformados. A partir de certa quantidade de dados, bem como da velocidade do acesso a eles, seu processamento aparentemente acaba prejudicado, gerando angústia e sensação de inadequação.

A despeito de não ser a solução final para o problema, a reciclagem de resíduos das atividades é um caminho obrigatório. Para ser eficaz ela precisaria, no entanto, ocorrer de forma tão veloz quanto a sua produção. Nisso há esforço empenhado. A reflexão, porém, sobre a estrutura e o funcionamento da sociedade que já se percebe em alguns momentos, que evolui para a revisão das práticas educacionais, de construção civil, produção, consumo, descarte, tratamento de resíduos, que devem ser também consideradas. 


Por: Emerson Monteiro
 

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