11 outubro 2012

Ceará deve colher sua pior safra dos últimos 17 anos


Castigada pela seca, a safra de grãos no Ceará continua com projeção de agravamento das perdas, confirmando que o Estado terá em 2012 a pior colheita dos últimos 17 anos. É o que aponta o último Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado no período de 16 de agosto a 15 de setembro deste ano. Conforme o relatório, houve uma queda de 83,41% na previsão da colheita de grãos, que despencou de 1,43 milhão de toneladas (expectativa em janeiro de 2012) para 238,6 mil toneladas. A estimativa, comparada à safra obtida em 2011 (1,3 milhão de toneladas), corresponde ao recuo de 81,65%. Face ao mês anterior, a redução foi de 1,45%.

A maior queda foi registrada na cultura de algodão (89,23%), porém, este é um item que tem uma área plantada irrisória (1,7 mil hectare) em comparação com outras de maior relevância. Milho (quebra de 88,3%), feijão de corda da primeira safra (queda de 84,6%) e arroz de sequeiro (78,4% de perdas) são aqueles produtos que mais impactam.

Escassez de chuvas

De acordo com a coordenadora do Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias do Ceará (GCEA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Regina Feitosa, o cenário é resultado do impacto da escassez de chuvas sobre as bacias hidrográficas cearenses. "Até 20 de setembro, o volume de água armazenada representava apenas 47,86% da capacidade total. E até outubro a tendência é cair mais", antecipa. Como reflexo da escassez pluviométrica, dos 46 produtos pesquisados, 11 apresentaram variação em relação ao mês anterior, sendo 9 negativamente: feijão de corda de primeira safra (Vigna), milho (grão), mamona, mandioca, banana irrigada, café em grão (arabica e conilon).

Cereais
 
No grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas, houve queda na expectativa de produção do feijão de corda de primeira safra (Vigna), do milho (grão) e da mamona. Segundo o levantamento, as reduções no feijão e no milho ocorreram no município de Pacajus, que ainda não havia informado a perda decorrente da estiagem. No caso da mamona, os dados foram reavaliados em Sobral, onde a expectativa de perda é maior que a informada anteriormente.

"A grande maioria dos grãos de sequeiro ainda irá gerar mais projeções de queda entre setembro e novembro deste ano, pois muitos municípios ainda não informaram suas perdas. No caso da mamona, que a colheita começa em agosto, a perda em relação a estimativa inicial tende a aumentar ainda mais, superando a perda de 83,41%", projeta Regina Feitosa.

Pior em 17 anos
83% deverá ser a quebra de safra de grãos no Estado em 2012. Caso se confirme, esse será o pior resultado dos últimos 17 anos.

DN - Diário do Nordeste

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