29 agosto 2012

De volta a São Luís - Por: Emerson Monteiro


Isto depois de 26 anos que lá estivera, quando a evidência maior correspondia só ao belo casario colonial, uma beleza de lugar digna da apreciação dos que gostam de conhecer as paisagens urbanas da história. Porém desta vez outra cidade se me apresentava quase esquecida do ritmo lerdo de antanho. Metrópole tropical de proporções gigantescas integra o lugar à vastidão litorânea, edificando com prédios imensos, caros, e avenidas aos poucos rasgando o primitivo das condições originais. 

As tais avenidas abertas pelo progresso verificado nesta hora, isso para incorporar a nova São Luís aos espaços da ilha de antigamente, dos tempos portugueses e franceses, ainda mostram insuficiência a atender o boom imobiliário automobilístico deste período incerto da civilização industrial. Carros que não acabam já mais dominam as pistas e jardins, e determinam lentidão cataléptica ao movimento das pessoas no tabuleiro gigantesco daquelas planícies de beira mar. 

Diante da agenda a cumprir, só pude visitar o centro histórico no período da noite, avistando inteiro e conservado o rico patrimônio arquitetônico considerado primeiro dentre as heranças do período colonial. Belo traçado de becos e vielas, bem conservados, vários adquiridos por ricos estrangeiros, preenchidos de órgãos oficiais de cultura e turismo, marcas imorredouras da presença europeia naquele Brasil dos inícios.

Em meio à febre da propaganda eleitoral desta fase, de paredes e muros empanados de cartazes das variadas gentes candidatas, ainda circulei em um por de sol aberto pelas praias, parando no Trapiche e fotografando a maravilha luminosa da tarde ao som esfumaçado de grupo de reggae, toque jamaicano às cores daquele chão amorenado.

A intensidade, pois, da São Luís impressiona sobremodo, devido aos poderes com que ações financeiras do mundo capitalista querem reviver, no presente, passos empreendidos nas épocas do Novo Mundo, e fugia ao continente americano qual quem busca as portas do Paraíso. E a natureza maranhense, preservada no correr dos séculos abre outra vez suas carnes a esses exploradores. 

Através do Porto Itaqui, de São Luís, saem 30% do ferro consumido no resto do Planeta, procedentes das minas do Estado do Pará, seu vizinho. Ao longo da costa, lá estavam fundeados vários navios de largo calado, à espera de atracar e receber o minério transportado pela Ferrovia dos Carajás.   

Nisso tudo, algo de monumental transpira dessas visões de São Luís, o meio norte que prepara sonhos do Brasil do futuro.

Por: Emerson Monteiro
 

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