24 julho 2012

PRODUTORES RURAIS DO CARIRI ESTÃO APAVORADOS COM O CENÁRIO DA SECA NA REGIÃO - Por: Wilson Rodrigues


A estiagem no Cariri vem deixando rastros de pobreza e miséria em vários municípios da região. A vida rural para aqueles que sobrevivem da agricultura de sequeiro, se era ruim, ficou pior ainda com a perda da safra de milho, feijão, arroz e fava. No município de Jardim, por exemplo, existem mais de três mil e seiscentas famílias rurais sofrendo as conseqüências da seca e apenas 988 trabalhadores rurais recebem o seguro safra, pagos em cinco parcelas de 136 reais. Segundo a coordenadora municipal das associações rurais e comunitárias de jardim, Teresa Pinheiro os valores destinados ao pequeno produtor rural por intermédio dos programas do governo federal são vergonhosos e humilhantes. Quanto as linhas de créditos emergenciais nos Bancos do Brasil e do Nordeste, Teresa disse que são quase inacessíveis devido as dificuldades burocráticas que, segundo ela, nem todos os produtores rurais possuem o perfil exigido. “Os agricultores querem projetos sustentáveis, um direito constitucional deles, porem o governo acha mais pratico abrir linhas de credito para submeter o pequeno produtor a inadimplência, piorando ainda mais a situação”, disse a coordenadora rural de Jardim.

Em Juazeiro do Norte os prejuízos ocasionados com a perda da safra agrícola ( 65 % ), são relativos aos demais municípios do Cariri, explicou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, José Pereira. Conforme disse, existem no município 630 pequenos produtores rurais beneficiados com os programas federais. Embora Juazeiro tenha a menor área rural da região o quadro é desolador, comentou José Pereira. “A atual estrutura organizacional que temos com programas de créditos em bancos, bolsa família, projetos como o seguro safra e outros, alem de muitos agricultores serem aposentados, não vivemos hoje com a temeridade que tínhamos há algum tempo atrás com saques no comercio, por exemplo, mas o quadro não deixa de ser preocupante”, concluiu.

Em Crato a perda da safra foi de 65 %. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais calcula em 20 mil o numero de pequenos agricultores que estão em situação de pobreza dos quais, cinco mil já foram encaminhados em busca de linhas de créditos nos bancos e apenas mil deles tiveram seus projetos aprovados. O presidente do sindicato, Antonio Alves da Gama explicou que a única fonte de renda que esses trabalhadores rurais têm é o bolsa família e o seguro safra. Mas também reclama da burocracia que dificulta o acesso e muitos ficam sem o beneficio. “O governo deveria flexibilizar mais a exigência quanto a documentação”, disse o presidente do sindicato. No Crato, os pequenos produtores rurais da Vila Guilherme são os mais prejudicados. Todos ficaram de fora do seguro safra porque não tiveram como comprovar que são agricultores. Neide Batista Soares, que representa na comunidade o conselho de base do sindicato dos trabalhadores rurais do município, não sabe da dimensão de como essas famílias vão sobreviver sem emprego, sem renda e sem amparo social. O agricultor Antonio Paulino, 54 anos, pai de 10 filhos, vive da profissão e colheu apenas duas sacas de milho e mantém a família com pouco mais de 100 reais do bolsa família. Vicente Nunes de Oliveira tem seis filhos, colheu oito sacas de milho e está em situação semelhante. Maria Paulina da Silva é viúva, 47 anos, plantou milho, fava e feijão e colheu apenas uma saca de grãos. Sua renda familiar é de 200 reais do bolsa família.

Com a intencionalidade de criar meios que minimizem os efeitos da estiagem, o governo do estado anuncia algumas medidas como o programa de construção de barragens, kit de irrigação, cisternas de enxurradas, medidor horasanzonal e quintais produtivos. A gerente do escritório regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural, Elcileide Mendonça disse que a primeira parcela do garantia safra está sendo paga apenas em 55 municípios do Ceará e em alguns do Cariri, assim também o bolsa estiagem em cinco parcelas de 80 reais. Programa de venda de milho em balcão a 18 reais a saca e finalmente a liberação de dois milhões de reais em projetos aprovados para o Cariri durante a ExpoCrato.

Por: Wilson Rodrigues
Radialista/Repórter
Colaborador do Blog do Crato e Portal Chapada do Araripe 
Foto meramente ilustrativa

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