24 julho 2012

O SONHO - Osmar Figueiredo


Essa postagem merece o topo, não merece ?


SONHO

Hoje lembrei de Tandô,
Abidoral, Pai Bentim.
Da banda dos Anicetos,
Do som do tio Chiquim.

Fechei os olhos e ouvi
Cego Aderaldo e Zé Gato.
Ouvi os emboladores
Da antiga feira do Crato.

Eu vi Azul, vi a fonte
Da antiga praça da sé.
O seminário, o recreio,
O gesso “assim” de mulhé.

Vi Pedro Maia bater
A foto de Lampião.
Vi Bárbara de Alencar
Sofrer naquela prisão.

Eu vi a execução
do mártir Pinto Madeira.
Vi Monsenhor Pedro Rocha,
Canena, doutor Gesteira.

Nessa viagem assisti
Missa com o meu Padim Ciço.
Vi a guerra de quatorze
Eu nem quero lembrar disso.

Entrei na sambra, imocasa,
Do “redondo” ouvi o trem.
De lá da uzina Bezerra
Berrou um apito também.

Comprei torrado em Joquinha.
Parodiei com o Favela.
No beco do Padre Lauro
Vi desfilar o Capela.

Sorrindo o Paulo Fuísca
Contava pro Damião
Que viu o Incha Tetê
Dar cola pro Macarrão.

Eu vi Zé Cego descer
A escada do tamanqueiro
Escutando Célio Silva
Nosso maior seresteiro.

Pau, Pedro Cabeção,
Ramiro, dona Ceicinha,
Seu Edival o inventor
Vi essa gente todinha.

Eu vi Audízio e seu Pedro
Entrar na “associação”
Falei com o Joaquim Patrício.
Bebi no bar de Dom João.

Eu vi o cabo Toureiro
Correr atrás de Puliça.
Ouvi dizer: Foram quatro
Votos pro doutor Lingüiça.

Com o beato Zé Lourenço
Construí o caldeirão.
Viajei com o Brigadeiro
Naquele louco avião.

Vi poetas, vi cantores,
Mestres do artesanato.
Enfim: A gama de artistas
Que nasceram no meu Crato.

Toquei violão com o Pilôca
Nessa viagem que eu fiz.
Acordei emocionado
E com certeza feliz.

Osmar Figueirêdo

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