18 julho 2012

O Crato continua Lindo, mas... Por Hidelberto Jamacaru

O CRATO CONTINUA LINDO, MAS...
Como bom e saudoso filho, ao lar retornamos sempre. Rever parentes e amigos é a razão maior e o fazemos com aferro e, preferencialmente, em data especial: julho, período da festa da Exposição Agropecuária e quando para o Crato convergem multidões de todos os estados. É, na sua especificidade, a mais relevante festa do Nordeste! A Expocrato, histórica e culturalmente atraente, nestes últimos anos foi descurada e mercantilizada enquanto desvirtuada dos seus propósitos mais específicos e relevantes que seriam o destaque da agropecuária regional e o ressaltar da nossa cultura e dos nossos valores artísticos, como também de regiões vizinhas. Hoje, a Expocrato mostra de tudo, mais parecendo uma feira predominantemente voltada ao comércio e indústria e não de costumes regionais e agropecuária, por primazia e tradição. Além do comércio de produtos díspares – de acarajé, quinquilharias chinesas a colchões - observamos ainda mais a descabida monopolização de uma determinada marca – cerveja - sobre as diversas concorrentes, o que até conflita com o espírito cratense e do consumidor de ter livre arbítrio para escolher de acordo com a nossa preferência. Beber só o que nos impõem patrocinadores é ultrajante. À agropecuária propriamente dita se têm reservado alguns poucos pavilhões. Neste ano a ausência notada, injustificável e imperdoável quais desculpas que apresentem, foi a do estande do Banco do Brasil S.A. - sempre e ainda o maior fomentador da agropecuária do País. O propósito maior da feira é o comércio de espécies animais de primeiríssima linhagem, máquinas e equipamentos destinados ao campo e que estimulem os produtores a se deslocarem dos seus estados não só para orgulhosamente exporem os seus produtos como também para realizar negócios. Desta vez faltou-lhes a assistência creditícia in loco do BB. Por quê? Ainda no parque observamos o desprestígio para com o nosso maior evento da parte da administração – prefeito ou comissão organizadora, quem seja – quando sequer pavimentaram o espaço reservado ao parque de diversões e até também não o regaram para amenizar a poeira. Foi um clamor geral e um gritante desrespeito às crianças, maiores frequentadores. Isto sem considerar a precária iluminação naquele local e a presença nada estética de um riacho fétido a escorrer afrontosamente. Quanto desmazelo! Como já observado em outros períodos, priorizam-se artistas de fora – alguns já decadentes ou de baixa categoria – em detrimento dos valores locais e regionais que abundam, são nacionalmente reconhecidos, sabemos e estamos conscientes disso! Por quê? Seria mais uma nefasta imposição dos patrocinadores? Não se justifica! Ademais, e isso é gravíssimo, atentemos que por razões que cremos politiqueiras já se cogita transferir as instalações da exposição para outro espaço e até para município vizinho. Não descuidemos, pois perderíamos o nosso maior evento sociocultural. Observemos que temos espaço suficiente para ampliar as suas instalações e é uma área do Estado, sem ônus para o município. Outros aspectos negativos da festa foram observados por todos com os quais nos deparamos e é conveniente que destaquemos. Por exemplo: o Crato tem uma frota aproximada de 33 mil veículos. Por ocasião da Expocrato alcança em torno de 80 mil veículos que transitam pelas ruas charmosas, mas estreitas, sem melhor estrutura para acomodação desses veículos. Eis que alguém, em ato impensado, acha por bem manter a Zona Azul justamente nesse período e ainda mais resolve interditar alguns outros trechos proibindo estacionamentos, quando a lógica seria liberar tudo para acolher, e bem!, maior número possível de visitantes que muito nos honram. E sobre a famigerada Zona Azul não se encontram justificativas para a sua adoção posto que o comércio já não é o forte do Crato e fica ainda mais prejudicado por falta de estacionamentos gratuitos e até estimulados que deveriam, em benefício de todos: consumidores e do próprio comércio que arcam com os prejuízos. Por apenas R$. 2,00 alcançamos Juazeiro onde o comércio é bem mais estruturado. Atenção CDL e zelosa Câmara Municipal, sempre é tempo de rever erros – aberrações estratégicas! O Crato em si e em alguns aspectos vem melhorado, mas por outros é negligenciado justamente em pontos estratégicos. Ruas e praças que modificadas, arborizadas - ainda que de última hora; tanto tempo não é Excelentíssimo Prefeito? – embelezam-no cada vez mais. Por outro lado, além do já comentado, temos, por pirraça politiqueira, constatado abandonos sérios e comprometedores. Prefeito atrita – politicagem - com o governador e o povo é quem padece. Vejamos o caso do Rio Grangeiro há mais de dois anos arrasado e que ainda se mantém, injustificadamente, sem o competente e indispensável reparo das suas margens, a expor a risco toda população e comércios adjacentes. Esperam que ocorra o pior já no próximo período chuvoso? E, apenas como exemplo, já que não percorremos todas as localidades, o distrito de Santa Fé - o mais antigo e tradicional e dos mais produtivos do município, denota estar em absoluto abandono administrativo quando é precaríssimo o seu acesso de tantas fendas e obstáculos na via já sem asfalto e calçamento. Nesses últimos oito anos de administração nenhuma providência foi efetivada a fim de minimizar as dificuldades dos que por ali transitam e habitam. Quantas outras localidades estão neste mesmo precário estado de conservação e por quê? Mas, a despeito de tudo e dos políticos, o Luiz Lua Gonzaga de onde bem acomodado esteja e em especial no gozo da sua cabida homenagem – 100 anos - que ratifique suas costumeiras e ótimas referências ao Crato. Velho Gonzagão, o nosso Cratinho, apesar dos desleixos dos seus administradores, continua lindo e a ele regressaremos sempre!!! José HILDEBERTO Jamacaru de AQUINO

Um comentário:

  1. Ainda bem que não se ler certos artigos tendenciosos, nepotistas, concubinados com filiações partidárias. Melhor escrever sem saber o que acontece nas entrelinhas, senão por que se constata, sente na pele. Não importa quem administra, se o estado ou o governo municípal, mas quem paga o preço caro dos desconfortos, da falta de lógica, dos descasos. A cidade parece sobreviver do mês de julho, quando parece ter que dar satisfação aos desavisados turistas, enquanto seus cidadãos passam o ano inteiro iludidos com uma praçinha inaugurada, uma rua ou outra no centro da cidade que crie a ilusão de uma cidade em desenvolvimento, quando inúmeras artérias nos bairros sofrem com a falta de infra-estrutura essencial e por aí vai! Chega de que querer tapar o sol com uma peneira, o melhor artigo é o de quem vem vê e sente e opina pelo que entende está fazendo a sua parte no meio de tantos omissos ou de defensores de fachada. O que ainda vai destruir esta cidade, não é desinformação do povo desta amada cidade, mas... A deformação ou má formação de seus políticos ditos eruditos!

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