04 julho 2012

Festival de Woodstock - Por: Emerson Monteiro


Realizado na cidade rural de Bethel, no Estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, esse festival representaria o grito maior da juventude norte-americana contra a Guerra do Vietnam, que dizimava milhões em combates no Sudeste da Ásia, de 1955 a 1975, o auge da Guerra Fria. Esse festival reuniu centenas de músicos em palco aberto, durante os dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969, diante de uma plateia estimada em 500 mil pessoas. 

Na ocasião, o empreendimento conseguiu congregar amostragem do movimento hippie em um final de semana voltado para a paz, refletindo o ideário da contracultura que dominava a época, resultando disto, dentro outros produtos de massa, um filme longa metragem, documentário emblemático daqueles anos de convulsões. Praticamente Woodstock seria a encruzilhada definitiva no comportamento dos jovens da Modernidade, que desmistificaram as esperanças de transformação apenas através da contestação e do entusiasmo inconsequente das drogas e do amor livre em confronto da ordem dominante.

Significou a clara divisão das águas acumuladas entre o impulso da revolução da paz e do amor e o sistema tradicional do Imperialismo, o que John Lennon resumiria ao dizer que: O sonho acabou, limite extremo da cultura pop do make love, not war (faça amor, não guerra).  

Nos céus, os astros indicavam o final da Era de Peixes e princípio da Era de Aquarius. As estradas viviam cheias de cabeludos mochileiros vagando pelos lugares mais distantes. O rock psicodélico invadira palcos e ruas. Aflições tomavam conta das cucas maravilhosas nas viagens químicas e reviravoltas dos costumes em xeque.

De hoje, olhar tudo aquilo mexe por dentro a alma e indica o quanto a esperança dominava os ares, nesses desejos de consertar o mundo velho, carcomido de corrupção. Contudo imperfeições nos métodos adotados mostraram o quanto de percurso resta até chegarem os dias perfeitos da humanidade; que só as intenções deixam tanto a esperar, antes de nascer o sol definitivo; que as construções ansiadas exigiam maturidade, trabalho, visão, além de sonhos e vontades.  Quase meio século depois, assistimos às ações das hostes humanas a bater cabeças contra si próprias, repetindo erros arcaicos e atitudes de protestos e lutas inglórias.

Destarte, a história registrou esse momento raro da batalha campal de Woodstock, executada com o uso honesto de guitarras, violões, baterias, tambores, microfones e amplificadores, para vencer canhões e bombas totalitários, capítulo inesquecível de nossos tempos sombrios, que bem representam os espíritos na constante busca da libertação.

Por: Emerson Monteiro

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