10 julho 2012

Cardeal e arcebispo emérito Dom Eugênio Sales morre aos 91 anos no Rio


Corpo será velado na Catedral São Sebastião, no centro do Rio; cardeal teria sofrido enfarte

SÃO PAULO - Morreu, na noite desta segunda-feira, 9, aos 91 anos, na capital fluminense, o cardeal Dom Eugenio de Araujo Sales, arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Dom Eugênio morreu na Residência Assunção, onde morava, na Estrada do Sumaré, na zona norte do Rio.

Segundo a Arquidiocese, o mais antigo cardeal da Igreja Católica morreu por volta das 23 horas por causas naturais. Até a 0h45 desta terça-feira, 10, o corpo do religioso era preparado para ser velado na Catedral São Sebastião, no centro do Rio, onde será sepultado. A Arquidiocese também informou que, nos últimos dias, a rotina de Dom Eugênio, que não possuía nenhuma enfermidade grave, limitava-se entre o quarto e o gabinete, onde lia jornais e assistia à TV. Natural de Acari, no Rio Grande do Norte, Dom Eugênio chegou a ter o nome cogitado entre os candidatos a Papa, depois da morte de João Paulo I.

O atual cardeal-arcebispo da Arquidiocese do Rio, Dom Orani João Tempesta, que substitui Dom Eugênio em 2001, disse que nos últimos dois anos, em razão da idade, o arcebispo emérito começou a reduzir as atividades. "Ele já tinha dificuldades para andar, o raciocínio já estava um pouco lento. Eu não estou com o atestado médico em mãos, mas, pelo que me foi informado, Dom Eugênio sofreu um enfarte.", afirmou Dom Orani. Ele também destaca o importante trabalho realizado por Dom Eugênio, que nos últimos meses, apesar da idade, ainda tinha força de atender as pessoas em seu escritório.

"Ele foi um grande representante da Igreja Católica junto à Santa Sé. Governou a Arquidiocese durante 30 anos, criou a campanha da fraternidade, trabalhou socialmente na Favela do Vidigal e em outras mais, soube exercer sua função na sociedade, na igreja e no país. Durante os anos em que ficou afastado da Arquidiocese, escreveu artigos para jornais, tinha um programa semanal na TV.", acrescentou o atual arcebispo do Rio.

Em nota divulgada nesta madrugada de terça-feira, 10, o governador do Rio, Sérgio Cabral, lamenta a morte de Dom Eugenio Sales e decreta luto oficial de três dias no Estado. "Dom Eugenio Sales era amado pelo povo do Rio de Janeiro. Nas últimas décadas, a sua liderança religiosa foi a mais importante do nosso Estado. Vamos decretar três dias de luto.", afirmou o Cabral.

Ricardo Valota, do estadão.com.br

Um comentário:

  1. Uma faceta de Dom Eugênio Salles continua quase desconhecida da maioria dos brasileiros.
    Quando ele deixou de ser arcebispo do Rio de Janeiro, há 11 anos, a revista VEJA publicou longa matéria sobre ele, da qual destaco o trecho abaixo:

    "De perfil conservador e defensor da ortodoxia católica, Dom Eugênio combateu doutrinas esquerdistas na Igreja, como a Teologia da Libertação, corrente considerada por ele perigosamente próxima do marxismo. Ao mesmo tempo, ajudou a salvar a vida de mais de 5.000 perseguidos políticos – entre brasileiros, argentinos, chilenos e uruguaios – das ditaduras militares do Cone Sul, entre 1976 e 1982. Para isso, abrigou os refugiados, sem alarde, no Palácio São Joaquim, residência oficial do arcebispo do Rio de Janeiro, e numa rede de oitenta apartamentos alugados.
    Da mesma forma, denunciou a tortura de presos comuns e se recusou a receber honrarias dos generais no poder, apesar de carregar durante anos a pecha de aliado do regime militar devido à sua posição conservadora na Igreja". Em uma entrevista à VEJA Rio, por ocasião de sua aposentadoria como arcebispo da cidade, Dom Eugênio comentou a maneira com que, sem afrontar o regime, conseguiu proteger milhares de pessoas perseguidas por ele. "É difícil dizer do que mais me orgulho nesses trinta anos, mas talvez tenha sido a atitude que tomei durante o período militar, a de não provocar para poder salvar".

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