04 julho 2012

As consequências do voto - Por:Emerson Monteiro

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche define o escravo como um ser que não pode dispor de si mesmo e que não tem lazer. E ainda acrescenta que isto não chega a ser algo realmente desprezível; talvez haja muito dessa escravidão em cada um de nós, segundo as condições de nossa atividade e ordem social, que são radicalmente diferentes daquelas dos antigos. 
Nessa hora, lembrei os eleitores modernos que, por ambição das posses materiais, ou pela ausência dos bons costumes no exercício da ação pública de escolher os representantes da sociedade, se deixam seduzir por causas só pessoais, interesses individuais, ignorantes da riqueza efetiva do direito ao voto. Abrem a guarda diante dos acenos de candidatos mercenários e esquecem, ingênuos, as raras chances que lhes renovariam em muito as possibilidades coletivas das melhores escolhas. Resultados disso, consequências preciosas do sufrágio universal escorrem no ralo da inconveniência, ocasionando, de comum, a perpetuação da escravidão típica dos povos em formação, primitivos de mentalidade, em petição dos bons quadrantes da política. 
O dom favorável dessas conquistas históricas some qual nunca houvesse existindo em tempo algum. Nos registros históricos das democracias, quais repetidos equívocos de inoperância, sociedades inteiras permaneceram atoladas nos marasmo das más escolhas, meios desperdiçados na hora de urnas infelizes. Não obtêm, com isso, a maturidade indispensável para a libertação social. 
A autodeterminação dos instrumentos conquistados ao longo do tempo deixa, portanto, de surtir legítimos efeitos e o cidadão permanece a quilômetros de selecionar com justiça e sapiência as justas e imprescindíveis lideranças. Noutras palavras, perpetuam a escravidão dos povos submetidos à ignorância, abandonando a via do voto na mão dos espertos. Seriam, assim, escravos pela própria inconsciência na face dos meios urgentes da democracia. Ditas populações permanecem longe de mitigar a sede libertária, de costas aos reais benefícios dessas oportunidades perdidas, vítimas que foram nos turnos eleitorais.

Por: Emerson Monteiro

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